A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma investigação preliminar sobre a possível participação de um Ministro de Estado na tentativa de impedir uma menina de 10 anos de abortar após ser estuprada pelo tio.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo portal de notícias G1, que teve acesso ao documento encaminhado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Aras, se esta investigação preliminar encontrar provas suficientes, a PGR vai pedir a abertura de inquérito formal contra a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, suspeita de ter agido para evitar a interrupção da gravidez de um Menina de 10 anos. em agosto passado, no estado do Espírito Santo.

“Se houver indícios mais robustos da possível prática de delitos pelo noticiário, poderá ser pedida investigação naquele STF”, escreveu Augusto Aras no documento.

Em causa está uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, que na ocasião noticiou que o ministro Damares Alves, que já assumiu várias posições contra a interrupção da gravidez em qualquer hipótese, teria agido para prevenir o aborto.

Segundo o jornal, Damares teria enviado representantes de seu ministério e aliados políticos ao Espírito Santo, na tentativa de pressionar a equipe responsável pelo aborto. Os assessores do ministro também teriam sido responsáveis ​​pela divulgação ilegal dos dados da criança, o que resultou em vários protestos antiaborto fora do hospital onde a menina estava.

O relatório indicava ainda que o ministro tentou transferir a menina para um hospital em São Paulo, onde aconteceria o parto, mesmo que houvesse risco de vida para o bebê e para a criança.

A repercussão do caso reacendeu a polêmica sobre o aborto no Brasil, país que possui uma legislação bastante restritiva para essa prática, permitindo apenas a interrupção da gravidez em três circunstâncias: estupro; se a gestante corre risco de morte; ou quando o feto apresenta anencefalia (malformação do cérebro caracterizada pela ausência total do cérebro fetal e caixa craniana).

No entanto, apesar de o caso estar enquadrado na lei do aborto, a criança enfrentou várias dificuldades, com médicos de um hospital universitário do Espírito Santo negando esse direito.

A menina de 10 anos que precisava de uma autorização do tribunal para abortar depois de ser estuprada por um tio durante vários anos e acabou grávida.

Tanto Damares quanto o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, são o símbolo de um governo abertamente conservador, cristão e anti-aborto.

Em nota enviada ao portal G1, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos afirmou que encara a situação com “total tranquilidade, tratou sua atuação nessa ação com absoluta transparência e lisura, com absoluto respeito aos princípios da Administração Pública ., que o Ministro Damares Alves pediu à Polícia Federal que investigasse o caso “.

By Carlos Eduardo

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