A activista angolana Laura Macedo, uma das organizadoras da manifestação que foi travada esta quarta-feira pela polícia de Luanda, criticou a actuação das autoridades, que teria causado pelo menos uma morte entre os manifestantes.

“Não contava com este aparelho, muito menos com mortes”, disse o promotor da manifestação, interditada pelo Governo Provincial de Luanda.

De acordo com o ativista, um jovem morreu na avenida do Brasil, informação que a Lusa ainda não conseguiu confirmar com a polícia. Um vídeo que circulou nas redes sociais esta tarde mostra um jovem deitado no chão, sem vida e com sangue na cabeça.

“Não estava à espera”, disse o activista à Lusa, lamentando que as várias tentativas de concentração dos grupos juvenis tenham sido frustradas. “Houve várias tentativas de grupos de jovens, mas estava tudo desorganizado por causa da intervenção policial”, disse.

Laura Macedo comentou que esperava “um pouco mais de civilidade” e “consciência” do governo e não o que aconteceu.

Em vários pontos da Estrada de Catete, a polícia entrou nos bairros em busca dos jovens e lançou gás lacrimogêneo. A polícia atacou diversas vezes grupos de jovens que tentavam se manifestar e gritavam “Sem violência”, sendo dispersados ​​a cada tentativa por meio de gás lacrimogêneo e carros com canhões de água.

Laura Macedo também foi obrigada a “fugir para um quintal” no bairro de Palanca, onde foi “barricada” durante a incursão da polícia que “jogava gás”. “Ninguém conseguiu chegar ao cemitério [de Santa Ana], o local que tínhamos marcado para a manifestação ”, disse à Lusa, explicando que um grupo de activistas“ conseguiu perfurar os congoleses, mas foram posteriormente empurrados para o bairro ”. Conforme relatou, foi de manhã cedo que polícia, colocada nos principais pontos de acesso a Luanda, começou a deter os manifestantes.

“Revistaram as mochilas e impediram que os transportes públicos circulassem de Viana, Cacuaco, Cazenga e outros bairros” de onde os jovens tentavam sair para o centro da cidade. “Alguns mais ousados ​​conseguiram perfurar”, acrescentou.

Laura Macedo afirmou que os organizadores ainda estão procurando um lugar para ler um manifesto, mas eles ainda não haviam encontrado um lugar seguro.

Ao longo do dia, ao longo da Estrada de Catete (Avenida Deolinda Rofrigues) e noutros acessos, foram vários momentos em que a polícia recorreu à força para reprimir os jovens que tentavam avançar para o centro da cidade, que permaneceu um lugar pacífico em contraste com a turbulência nas periferias.

Um jornalista da Reuters relatou ter sido espancado e deixado sem câmera e o fotógrafo da Lusa foi atingido por um projétil cuja origem não soube identificar.

Também foram visíveis os caminhões de bombeiros da polícia e ambulâncias prontas para socorrer as vítimas dos confrontos.

A demonstração teve como objetivo exigem a redução do custo de vida da população e a fixação de data para as primeiras eleições municipais.

O protesto foi interditado pelo Governo da Província de Luanda, alegando, entre outras questões, o desrespeito ao Decreto Presidencial sobre o estado de calamidade pública, que impede a presença de grupos de mais de cinco pessoas nas ruas, para fazer face o alto número de infecções e mortes por Covid-19.

By Carlos Henrique

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