Enfrentar o coronavírus é um desafio, mas o pós-contágio também não é fácil. Perda de dente, cheiro ou sabor são alguns dos efeitos colaterais vistos após a infecção.

A saúde cardíaca é uma das principais preocupações dos especialistas, já que cerca de 16% dos ex-pacientes com Covid-19 apresentam complicações cardiovasculares, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e a SBC lançaram um documento com orientações para retornar ao exercício físico. As recomendações são dirigidas aos atletas e ao público em geral.

Os efeitos de longo prazo do Covid-19 ainda não são conhecidos, mas os especialistas já sabem que existem principais complicações cardiovasculares. Alterações eletrocardiográficas, níveis detectáveis ​​de troponina (um marcador que pode indicar infarto agudo do miocárdio) e achados anormais na ressonância magnética cardíaca foram detectados até cerca de 70 dias após o diagnóstico da doença.

As alterações apareceram mesmo em pessoas com sintomas leves e podem aumentar o risco de morte súbita. Por isso, os especialistas alertam: antes de voltar à academia, o primeiro passo deve ser marcar uma consulta com o cardiologista.

O exame físico e o eletrocardiograma são essenciais para avaliar a saúde cardíaca de ex-pacientes. Para os casos graves, outros exames complementares são recomendados, como dosagem de troponina sérica, exercício ou teste cardiopulmonar, ecocardiograma com Doppler e ressonância magnética cardíaca.

Também é necessário esperar pelo menos 14 dias sem mostrar sinais da doença antes de se aventurar a voltar aos exercícios, para evitar a transmissão.

O retorno deve ser preferencialmente progressivo. Se está tudo bem vale a pena a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto à frequência e intensidade do exercício: de 150 a 300 minutos semanais de atividades aeróbicas de média a alta intensidade – até uma hora de exercício por cinco dias ou 40 minutos por sete dias.

Se por um lado ainda não há dados sobre como o exercício regular pode afetar a evolução da Covid-19, os benefícios da atividade física para a saúde cardíaca já estão bem estabelecidos na ciência.

Abandonar o estilo de vida sedentário reduz a pressão arterial, os níveis de lipídios no sangue, a glicose no sangue, alguns marcadores inflamatórios e hemostáticos, problemas associados a maior mortalidade em pacientes infectados com SARS-CoV2.

Também é conhecido que a prática regular em intensidade leve a moderada melhora a imunidade, o que pode contribuir para uma maior resistência ao vírus. Em caso de eventual infecção, os exercícios ajudam o paciente a ter uma evolução mais favorável.

Indivíduos que se exercitam regularmente, em geral, apresentam proteção contra vírus, com redução na incidência de infecções das vias aéreas superiores e evolução clínica superior à de pessoas sedentárias, ainda que com menos complicações, segundo o documento.

By Gabriel Ana

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