Representantes de profissionais de centros de saúde – onde serão vacinados na primeira fase do plano de imunização contra covid-19 400 mil pessoas com 50 anos ou mais com doenças mais graves, como insuficiência cardíaca e doença coronariana – estão convencidos de que em poucos dias eles podem completar esta tarefa. “Vai demorar apenas uma semana a dez dias para vacinar [com a primeira dose] esses pacientes. Serão cerca de 400 doses por unidade de saúde ”, calcula o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira.

“Na primeira fase, se esses grupos de risco forem mantidos, as 900 unidades funcionais [dos centros de saúde] e algumas extensões em locais mais isolados têm capacidade de vacinar rapidamente ”, corrobora o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde da Família (USF-AN), enfermeiro Diogo Urjais. Mas os dois avisam, de imediato, que a segunda fase – em que se prevê a vacinação de 2,7 milhões de pessoas, as de mais de 65 e de 900 mil doentes crónicos – é um desafio muito mais complicado que envolverá a contratação de mais enfermeiros e, acima todos, secretários de clínicas que faltam nos centros de saúde.

Primeira reunião esta sexta-feira com os responsáveis ​​pelo grupo de trabalho do plano de vacinação, que é coordenado pelos ex-Secretário de Estado da Saúde Francisco Ramos, Rui Nogueira e Diogo Urjais, aproveitou para elencar alguns problemas que terão de ser resolvidos rapidamente para que esta massa a operação de vacinação decorre sem problemas.

A expectativa é grande, tanto que “já tem gente querendo marcar a vacinação”, relata Diogo Urjais, que argumenta que “será preciso muita organização e grande aposta na comunicação” com a população “para evitar pressa, desconfiança e estresse desnecessário ”, como“ aconteceu com a vacinação contra a gripe ”que já está em fase final.

Não adianta correr para os centros de saúde. Os cidadãos incluídos nos grupos prioritários serão convocados e sua vacinação será agendada, com os intervalos necessários para a aplicação da segunda dose. Mas aqui mesmo “há dois problemas marginais”, diagnostica Rui Nogueira: os doentes que não têm médico de família atribuído, e que se concentram maioritariamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, e o grupo mais reduzido dos que não são acompanhados nos centros de saúde à sua escolha. Este último terá de apresentar atestado médico, como já tinha explicado Francisco Ramos na quinta-feira. Já quem não tem médico de família, mas está cadastrado em posto de saúde, precisará ser identificado e contatado.

“Existem ainda dois outros problemas circunstanciais”, acrescenta o presidente da APMGF: os pacientes que vivem em aldeias remotas – e aqui os bombeiros poderiam ajudar, sugere ele – e os imigrantes cuja situação não está regularizada. Os lares não legalizados (residentes em casas de repouso também fazem parte do primeiro grupo a ser vacinado) também representam um desafio. Em alguns casos, enfermeiras de postos de saúde terão que se deslocar até as residências para vacinar os idosos, frisa Diogo Urjais.

Aluguer para segunda fase

Na segunda fase, com mais de cinco milhões de doses a serem administradas, a tarefa é muito mais complexa. Por isso, reclamam os dois, será necessário contratar mais profissionais, enfermeiros e, sobretudo, secretários clínicos que são escassos nas unidades – porque “não abrem concursos há uma década” – e fazer horas extras. Diogo Urjais lembra que na vacinação contra a gripe, com um número bem menor de vacinados, algumas unidades já tiveram que trabalhar no sábado e Rui Nogueira defende que na mega operação de imunização contra covid não se pode parar no fim de semana e deve-se pedir farmácias cooperar. “Eles podem vacinar idosos saudáveis”, propõe.

Relembrando as operações mundiais de vacinação contra varíola em 1956, sarampo e poliomielite, a chefe da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, acredita que os profissionais que representa estão aptos a fazer o trabalho, até porque é, afinal , “Outra campanha” de imunização “em massa”. A diferença agora é que as vacinas contra covid-19 que estão em um estágio mais avançado de aprovação – a da Pfizer /BioNTech e Moderna – “requerem temperaturas de armazenamento e conservação muito baixas”.

Encontro na semana passada com Francisco Ramos, Ana Rita Cavaco revela já ter sugerido que, em vez de alargarem o horário dos centros de saúde, porque agora estão limitados do ponto de vista dos espaços devido à pandemia que não permite aglomerações no salas de espera, a vacinação é organizada em outros locais, como, por exemplo, nos pavilhões esportivos localizados no entorno das unidades. “Podemos montar facilmente postos de vacinação em qualquer lugar, desde que os espaços sejam amplos e permitam uma distância segura”. No Serviço Nacional de Saúde, lembra ele, são cerca de 45 mil enfermeiras. Muitos trabalham em hospitais, mas Ana Rita Cavaco afirma que estes também podem ser integrados nas brigadas de vacinação.

São os enfermeiros do SNS que “vão vacinar prioritariamente”, sublinhou esta sexta-feira o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, que admitiu um reforço de meios, se necessário. Quanto à possibilidade de os centros de saúde terem de alargar o horário de funcionamento, admitiu que “é possível”, mas frisou que a decisão cabe às unidades locais de saúde e aos directores executivos dos grupos de centros de saúde. “Na primeira fase serão 1.200 postos de vacinação e na fase posterior podemos pensar em outros postos de vacinação, nomeadamente se for necessária uma vacinação mais massiva, com campanhas nas escolas, nos pavilhões ou noutros pontos de proximidade que possam dar um melhor acesso aos pacientes ”, disse.

Um dia após a apresentação do plano, já se levantaram várias críticas: a Liga dos Bombeiros de Portugal lamentou que os mais de 30 mil bombeiros “não sejam expressamente mencionados” como incluídos na primeira fase de vacinação e a Liga Portuguesa contra o Cancro reclamaram dos doentes pacientes com câncer, especialmente aqueles com doença ativa, incluídos na segunda fase, são vacinados precocemente.

By Carlos Henrique

"Introvertido amigável. Estudante. Guru amador de mídia social. Especialista em Internet. Ávido encrenqueiro."

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *