O líder do movimento de independência da Frente Polisario do Saara Ocidental, Ibrahim Ghali, anunciou no sábado que o grupo considera ineficaz o cessar-fogo acordado com Marrocos e em vigor há 29 anos, e declarou que a região se encontra em “estado de guerra”.

Ibrahim Ghali disse que assinou um decreto para acabar com o compromisso do grupo, tornando o Marrocos responsável pelo retorno do conflito.

Uma intervenção militar das Forças Armadas de Marrocos na zona desmilitarizada de Guerguerat, com a missão de acabar com o bloqueio da principal estrada de acesso à Mauritânia, já havia levado o movimento de independência, na sexta-feira, a denunciar a violação do cessar-fogo em território disputado e para proclamar o início da “guerra de libertação de todos os povos” sarauí.

Segundo a agência espanhola EFE, ao mesmo tempo que se divulgava a notícia do decreto de Ghali, também presidente da República Árabe Sarauí Democrática, dezenas de voluntários começaram a alistar-se nos quartéis dos campos de refugiados erguidos há 45 anos atrás na região da Argélia. Tinduf e as chamadas “zonas libertadas”.

Em nota enviada a esta agência, a Polisario afirma ter disparado contra quatro bases marroquinas e dois postos de controle ao longo do muro de defesa construído pelo Marrocos de norte a sul no Saara Ocidental. O comunicado afirma que os ataques são a resposta à declaração de guerra ou intervenção de Marrocos em Guerguerat.

A estrada Guerguerat, que entra na Mauritânia, é a principal via de ligação do Marrocos ao resto da África, explica a Reuters. Os partidários da Polisario, que consideram ilegal o uso desta rota pelo Marrocos, bloquearam a passagem desde 21 de outubro.

A EFE afirma que a situação não está clara sobre o que está acontecendo no local. O Governo de Marrocos não se pronunciou sobre o decreto do dirigente da Frente Polisário que declara o fim do cessar-fogo ou dos atentados que o meios de comunicação país estão negando que eles existiram.

Outras notícias informam sobre o movimento de tropas na Argélia, perto da fronteira com o Marrocos, país que considera o Saara Ocidental parte de seu território e ocupado quando a Espanha deixa a região, em 1975.

A Frente Polisário também exige que a ONU cumpra a sua promessa – um referendo sobre a autonomia – para escolher livremente o futuro da autonomia que Rabat lhe nega. O bloqueio da estrada de Guerguerat também é um protesto porque a Missão das Nações Unidas para o Referendo sobre o Saara Ocidental (Minurso), criada em 1991, não cumprindo sua promessa e objetivo. O mandato desta força foi renovado pelo Conselho de Segurança da ONU a 30 de outubro, mas sem ser feita menção ao referendo de autonomia.

De acordo com local de notícias do Sahara Ocidental ecsaharaui.com, o dirigente da Frente Polisario cedeu este sábado 12 horas à missão da ONU para abandonar o seu território, após 29 anos sem avanços substanciais e acusando o Minurso de possuir um mecanismo “favorável à ocupação marroquina”.

By Carlos Eduardo

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