Dimensões, Pegada e Peso

O G Flex é um phablet, dos enormes. São seis polegadas de tela que ocupam uma mão inteira, mesmo naquelas mãos grandes. Com um corpo de 160,5 milímetros de altura, por 81,6 milímetros de largura e 8,7 milímetros de espessura, o aparelho não passa desapercebido nas mãos de seu dono. Tudo isso somado aos 177 gramas, que deixam o gadget bem pesado – principalmente quando há competidores diretos bem mais leves.

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A tela curva não atrapalha na hora de segurar com uma mão, que até oferece uma empunhadura mais confortável e segura. A traseira passa uma sensação de superfície mais áspera, o que auxilia nesta sensação de que o smartphone não vai escorregar das suas mãos.

Tela

O G Flex 2 traz uma tela plastic-OLED Full HD de 5,5 polegadas, com a densidade de 403 pixels por polegada. A resolução maior irá agradar aos que criticaram a tela do G Flex, mas a ausência do QHD ainda pode representar um ponto fraco na opinião de alguns usuários. No predecessor, a tela HD foi integrada devido a limitações técnicas, e o mesmo pode ter sido o caso do G Flex 2.

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Gostei bastante da tela: boa representação de cores, saturação e brilho. A camada Dura-Guard é quimicamente ligada ao Gorilla Glass e reforça os cantos da tela, conhecidos pontos de impacto no caso de quedas. De maneira geral, o G Flex 2 é mais resistente do que o G Flex.

Software e multimídia

O Android 5.0 Lollipop do G Flex 2 é basicamente igual ao Android 4.4 KitKat do G3, por mais estranho que isso possa parecer. Há algumas alterações sutis, como na central de notificações e na barra inferior de botões, mas a LG não fez quase nada para se adaptar ao Material Design e a experiência continua a mesma. Essa ainda não é a LG UX 4.0 do G4, que trouxe modificações mais profundas.

O que dizer da interface do G Flex 2? Resumidamente, é uma mistureba de interface flat com skeumorfismo. De longe, ela possui um visual sóbrio, com cores sólidas e botões planos. Vendo mais de perto, encontramos estranhas linhas de caderno no aplicativo de SMS, medidor de VU no gravador de voz e um tuner analógico no rádio FM. Bem frankenstein.

A LG tentou implantar alguns recursos para valorizar o display grande, como a função de colocar dois aplicativos dividindo a tela, mas eles são pouco práticos e beiram a inutilidade. Você precisa acessar a tela de apps recentes, tocar no botão Janela Dupla, arrastar um ícone de um aplicativo para cima, outro para baixo… Os apps estão numa lista pré-definida e poucos possuem suporte ao recurso da LG.

Os alto-falantes emitem áudio claro e não distorcem facilmente, mesmo no volume máximo, sendo praticamente iguais aos do G3. Na caixa, a LG envia os fones de ouvido intra-auriculares QuadBeat 2, que devem agradar a maioria dos usuários, com bons graves, controles embutidos, borrachinhas adicionais de outros tamanhos e um cabo flat que não enrosca facilmente.

Performance

As especificações técnicas do LG G Flex 2 impressionam: embalado pelo processador Snapdragon 810 octacore a 2,0 GHz e tecnologia 64 bits, o G Flex 2 promete concorrer em pé de igualdade com qualquer lançamento top de 2015. Sua memória RAM é de 2 ou 3 GB, dependendo da versão de 16 ou 32 GB de memória interna (como o G3 antes dele). Sua tecnologia de 64 bits e o processador prometem não apenas uma performance top, mas também um melhor gerenciamento da bateria.

Nesse ponto, contudo, devemos mencionar a questão do superaquecimento. Ela tem sido incansavelmente mencionada pela imprensa especializada, e a LG confirmou que a performance da CPU foi diminuída para evitar o superaquecimento. Não posso dizer que tenha notado isso durante o meu teste com o G Flex 2, mas certamente isso deve ser levado em consideração durante o uso mais intenso do dispositivo (como no caso de jogos mais pesados).

Claro, isso não é nada de novo: o Xperia Z2 costumava cair depois de um período gravando um vídeo de 4K devido ao superaquecimento, e o mesmo acontece com o Z3. O G Flex 2, na verdade, dissipa o calor muito bem, e apesar de eu ter recebido alguns avisos de superaquecimento enquanto fazia testes de benchmark, o dispositivo não estava quente o suficiente para justificá-los. 

O Snapdragon 810 conta com a GPU Adreno 430 GPU e tri-band Cat. 6 LTE para 300 Mbps de velocidade de dados. Bluetooth 4.1, NFC, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac e USB 2.0 são suas outras especificações técnicas.

Na prática, o smartphone é geralmente muito rápido e ágil, mas eu  percebi falhas ocasionais ou soluços quando se tenta forçar problemas com multitarefas rápidas ou troca de apps. Real Racing 3, o nosso app padrão para desempenho, teve uma ótima performance.

Alguns outros problemas de desempenho menores dignos de nota são um pouco de atraso na interface em alguns momentos. Alternando entre câmera frontal e traseira pode demorar um pouco, por exemplo, e os aplicativos nem sempre são ativados tão rápido como eu gostaria. Mas essas são questões menores: o G Flex 2 é o telefone mais rápido do momento.

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A câmera do G Flex 2 é muito parecida com a do LG G3

Câmera

A LG ainda não conseguiu a maestria em fotos, da mesma forma como lida bem com a tela que as exibe. A câmera do G Flex, que fotografa em até 13 megapixels, ainda não entrega uma qualidade tão boa nas imagens, como acontece com concorrentes (como é o caso do Lumia 1020 ou Galaxy S5). Porém, as imagens capturadas com boa luminosidade entregam boa quantidade de detalhes, com boa reprodução de cores. Em fotos noturnas, a qualidade cai bastante e o granulado fica visível, mais visível do que ocorria com o G2, por exemplo.

Nos vídeos a qualidade segue o mesmo padrão, mas elevou a resolução para fabulosos (e gigantescos) 4K, que é uma resolução quatro vezes superior ao Full HD. Este tipo de arquivo apresenta seu ponto negativo no enorme tamanho que ocupa na memória, e na dificuldade de reprodução deste conteúdo em computadores mais modestos.

Hardware e Bateria

Este é o ponto mais crítico do G Flex 2.

O modelo brasileiro tem o novíssimo processador Snapdragon 810, da Qualcomm, que suporta instruções de 64 bits e traz oito núcleos de processamento na configuração big.LITTLE, sendo quatro Cortex-A57 de 2,0 GHz (alto desempenho) e quatro Cortex-A53 de 1,5 GHz (baixo consumo de energia).

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No mundo, ele foi lançado com duas opções de armazenamento: 16 GB ou 32 GB. Estranhamente, apenas a versão com menor capacidade chegou ao Brasil, e um dos problemas disso é que ela possui 2 GB de RAM, contra 3 GB do irmão com mais espaço. Com preço nada acessível de 3.299 reais, fica difícil engolir esse corte no hardware da versão brasileira.

Dos 16 GB de armazenamento, apenas 7 GB estão disponíveis na primeira inicialização; os outros 9 GB são tomados pela personalização da LG e joguinhos de demonstração. Para amenizar a deficiência, a LG envia um microSD de 16 GB na caixa. Só que isso não resolve o problema e cria o constante inconveniente de ter que gerenciar onde os apps serão armazenados, o que não deveria existir num topo de linha em pleno ano de 2015.

Além disso, embora o hardware seja tecnicamente poderoso, o G Flex 2 foi uma enorme decepção no uso diário. Em momentos aleatórios do dia, o desempenho se torna intragável, com aplicativos demorando vários segundos para abrir, respostas ao toque demoradas e animações engasgando constantemente. O launcher frequentemente recarrega todos os widgets.

Levantei duas hipóteses, mas não cheguei a nenhuma conclusão sobre o desempenho inconsistente do G Flex 2. A primeira era que o Snapdragon 810 possui problemas de superaquecimento, o que prejudicaria a performance. Para diminuir a temperatura, o processador da Qualcomm reduz a frequência de maneira forçada, já que não há ventoinhas.

Mas, no geral, senti que o G Flex 2 simplesmente esquenta tanto quanto qualquer outro smartphone (embora, às vezes, uma mensagem nada amigável me impeça de aumentar o brilho da tela, sob a alegação de que o aparelho está quente). E, olha só: mesmo com clock reduzido, o Snapdragon 810 teoricamente ainda é um ótimo processador.

A outra hipótese seria que o Lollipop tem problemas de desempenho conhecidos, especialmente o vazamento de memória que deixa o aparelho lento com o tempo. No entanto, os soluços do G Flex 2 aparecem mesmo quando ele acabou de ser reinicializado e, de qualquer forma, eu não tive nenhum problema de lentidão com o Android 5.0 no Moto X (2ª geração) ou Moto Maxx.

O mesmo problema foi percebido por diversos proprietários do G Flex 2 ao redor do mundo, mas alguns relataram que uma correção distribuída em abril resolveu a questão. No meu caso, as lentidões aconteceram com o software totalmente atualizado. Contatada, a LG informou que não possui “notificações de problemas de performance notáveis com o G Flex 2” e que todas as atualizações de firmware globais são disponibilizadas aos aparelhos nacionais após adaptações aos parâmetros brasileiros.

O problema continuou mesmo após restaurar o G Flex 2 para as configurações de fábrica. Após este review, o smartphone seguiu para análise pela LG do Brasil. O texto será atualizado caso a empresa se pronuncie sobre o assunto.

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Em relação à bateria, o G Flex 2 traz uma autonomia mediana, diferente do primeiro G Flex, que possuía uma duração acima da média. Faz sentido: o processador é mais potente e a tela possui o dobro da quantidade de pixels, mas a capacidade de 3.000 mAh se manteve.

No dia de testes, tirei o G Flex 2 da tomada às 10h40, ouvi áudio por streaming (Spotify e Pocket Casts) no 4G por 2h30min e naveguei na web (emails, sites e redes sociais) por cerca de 2h. A tela ficou ligada por exatamente 2h21min. A carga chegou a 13% às 19h12, quando coloquei o aparelho no modo de economia de energia até arranjar uma tomada.

O G Flex 2 não tem uma autonomia ruim, mas às vezes pode deixar o usuário no sufoco. Em todos os dias da semana de testes, cheguei em casa com menos de 25% de bateria.

Conclusão

Vale a pena comprar um G Flex 2? Talvez um dia, mas a resposta atual é não.

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Não está claro se o problema do G Flex 2 está relacionado ao software ou hardware, mas este foi o smartphone topo de linha com o pior desempenho que testei até o momento. Embora o hardware do aparelho da LG mostre seu poder de fogo em tarefas pesadas (como ao rodar Dead Trigger 2), a performance fica inexplicavelmente ruim em momentos aleatórios do dia, do tipo que me faz sentir saudades do Moto E, de 500 reais. O defeito não é isolado e foi citado em várias análises do aparelho, inclusive em publicações internacionais.

Além disso, o preço sugerido de R$ 3.299 do G Flex 2 ficou muito alto para o que ele oferece, mesmo comparando com produtos da própria LG, como o G3, que foi lançado por R$ 2.299 e hoje pode ser adquirido por cerca de 1,3 mil reais — ou seja, a metade do valor cobrado atualmente pelo G Flex 2 no varejo brasileiro. Pagar dois salários mínimos a mais para ter uma tela curvada e um desempenho pior não me parece uma opção razoável.

Smartphones da LG costumam se desvalorizar rapidamente, o que os tornam uma boa opção de compra para quem não faz questão de adquirir o produto logo no lançamento. Se você estiver lendo este review daqui a alguns meses, se o problema de desempenho tiver sido corrigido, e se o preço estiver no mesmo nível do G3, então o G Flex 2 é uma opção a se considerar. Caso contrário, você será mais feliz com um Moto Maxx, Xperia Z3 ou LG G3.

PRÓS

  • Design curvo e atraente.
  • Tela de alta resolução, muito melhor que a do antecessor.

CONTRAS

  • Apenas 16 GB de armazenamento interno na versão brasileira.
  • Desempenho inconsistente e lentidão excessiva em momentos aleatórios.
  • Personalização da LG não evoluiu com o Android.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 2 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0, infravermelho;
  • Dimensões: 149,8 x 75,4 x 9,3 mm
  • GPU: Adreno 430;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 2 TB;
  • Memória interna: 16 GB (7,1 GB disponíveis para o usuário; cartão de 16 GB incluso);
  • Memória RAM: 2 GB;
  • Peso: 148 gramas
  • Plataforma: Android 5.0.2 (Lollipop);
  • Processador: octa-core Snapdragon 810 de 2,0 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, luminosidade, infravermelho;
  • Tela: P-OLED de 5,5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels.