Prós

  • AMOLED com brilho forte e cores equilibradas
  • Câmera
  • Suporte a Dual SIM
  • Modos de performance

Contras

  • Aplicativos não estão preparados para tela mais alta
  • Posição ruim do leitor de digitais
  • Bixby
  • Bateria mediana

Quando penso em um smartphone com tela de 5,8 polegadas a primeira coisa que nos vem a cabeça é o tamanho gigantesco do aparelho, mas isso é algo que não acontece no Galaxy S8, a Samsung trabalhou bem na parte frontal do aparelho diminuindo o tamanho de suas bordas mais tela e a mesma fórmula de sucesso da geração anterior, além de refinamentos importantes no primeiro grande lançamento da marca depois do fiasco do Galaxy Note 7.

Mas será mesmo que a Samsung acertou em cheio no aparelho? É o que veremos

Design

O Galaxy S8 é sem dúvidas um aparelho que chama a atenção de qualquer pessoa, seja pelas especificações, seja pela construção. O S8 lembra bastante o Note 7 e dispõe de bordas de metal e cobertura em vidro com proteção Gorilla Glass 5. As laterais curvadas dão um aspecto premium e a pegada é excelente – apesar de ser um pouquinho escorregadio. O dispositivo também é bastante fino e relativamente leve. São 173 gramas – para efeito de comparação, o iPhone 7 Plus pesa 188 gramas.

A Samsung removeu os botões físicos de início, voltar e multitarefa, que foram para a tela, como já acontece em outras fabricantes. Ainda assim, a empresa manteve um sensor de pressão embaixo da região onde o botão de início é exibido. Isso significa que ele pode ser acionado a qualquer momento, inclusive com a tela desligada ou quando você estiver rodando um jogo em tela cheia. Ele é, portanto, um botão virtual que é… físico.

Uma das vantagens de ter botões exibidos na tela, para quem sempre achou ruim o fato da Samsung ser a única diferentona entre as grandes fabricantes de Android, é que você pode trocar a ordem padrão deles: é possível colocar o voltar na esquerda e o multitarefa na direita, se preferir.

Como o Galaxy S8 vem com a certificação IP68, você não precisa se preocupar em molhar o aparelho e ainda pode usá-lo para gravar vídeos ou mesmo fazer fotos embaixo d’água. Porém, não pode ultrapassar 1,5 metro de profundidade ou o limite de 30 minutos submerso. Como consequência, no entanto, os alto-falantes precisarão de um tempo para secar por completo para voltar a entregar a mesma performance de som que antes de estarem em contato com a água.

Tela

Sem dúvidas a tela é o que mais chama a atenção no Galaxy S8, a qualidade dela impressiona até mesmo os mais detalhistas e exigentes, ela é uma Super AMOLED de 6,2 polegadas, mas montada em um corpo super compacto. Isso porque a Samsung conseguiu ocupar 83% da face do smartphone com o visor. Ele até ganhou o nome de Infinity Display por causa disso, e é esse o principal argumento de vendas do aparelho no momento.

A tela é realmente bonita, tem brilho, contraste e cores fenomenais, os ângulos de visão são muito amplos, as laterais curvas promovem uma experiência diferente na hora de assistir a conteúdo multimídia, mas a proporção do display é diferente: são 18,5:9, quando estamos acostumados com uma proporção 16:9.

Se você não notou, há um problema em ter uma tela nesse formato, é o seguinte: ao dar “Play” em qualquer vídeo do YouTube, vai ver pequenas faixas na esquerda e direita, diminuindo a área da tela. Até é possível clicar em um botão lateral e o software do aparelho vai esticar o vídeo para caber na tela inteira, mas aí estamos aumentando o conteúdo. Não é nada que incomoda o público casual, mas os mais observadores, certamente, vão ficar chateados com isso.

A função Edge, que veio nos modelos de mesmo nome dos anos anteriores, continua presente. Você pode colocar os contatos mais importantes na “dobrinha” da tela, ou os aplicativos que mais usa no dia a dia. O Always On Display também continua firme e forte. É possível fazer com que a hora, calendário ou algumas informações pré-definidas sejam sempre exibidas, mesmo quando o celular estiver em repouso. E isso não impacta em quase nada a bateria.

Os benefícios são múltiplos. Porém, como se trata de uma nova tecnologia, nem todos os aplicativos oferecem suporte para essa nova proporção de tela, a maioria dos jogos e vídeos ainda vão exibir uma barra preta na parte superior e inferior da tela (ou nos cantos). Como consequência, alguns jogos no formato 16:9 podem perder alguns pixels para compensar as barras pretas quando adaptados à tela.

O jogo Sky Dancer, por exemplo, cortou pela metade as informações dos botões de menu e, devido à curvatura das bordas do S8, e experiência foi ainda pior do que a que tivemos na tela plana do G6, usando o mesmo game:

Quando o Galaxy S8 está configurado para usar as especificações máximas, no entanto, apesar do aumento do consumo da bateria, conseguimos nitidamente sentir a diferença na mudança da qualidade do display e, principalmente, no áudio dos fones de ouvido. Logo, este recurso não é balela, mas uma ferramenta do sistema que, sabendo se usar, vai melhorar e muito o uso do Galaxy S8.

Software

Para aqueles que já estão familiarizados com o Galaxy S7 e sua interface rodando com o Android Nougat a interface é basicamente a mesma. A Samsung melhorou bastante a sua interface desde o Galaxy S6, e ela continua boa no Galaxy S8. É um software bem cuidado, que até traz alguns recursos de utilidade duvidosa (como a Tela Edge, que mostra atalhos rápidos), mas não tem aplicativos ou joguinhos inúteis pré-instalados e acrescenta funções importantes.

Um deles é o Always On Display, que deveria ser padrão em qualquer smartphone com tela AMOLED: sempre que o aparelho estiver em standby, ele mostra o relógio, as notificações e, agora, os controles do player de música. A Samsung também possui seu próprio serviço de nuvem, permitindo restaurar todo o histórico de ligações, SMS, galeria de fotos e configurações do sistema em um novo aparelho, algo que o iOS tem com o iCloud há muito tempo e o Android puro nunca conseguiu fazer direito.

Com a remoção do botão inicial físico, passamos a ter os botões de navegação virtuais, que agora podem ser posicionados de acordo com a preferência dos usuários. Como utilizo muito mais o botão para voltar ações, mantive a configuração multi-tarefas/início/voltar, pois ajuda a usar o aparelho com uma mão.

Ao deslizar o dedo sobre a tela, de cima para baixo e vice-versa, abrimos a gaveta de apps, e isso facilita bastante o uso do aparelho com apenas um mão. É uma pena, no entanto, que a Samsung não tenha usado função semelhante para baixar rapidamente a barra de notificações usando o mesmo golpe na tela. A tela do S8 é mais comprida do que a da maioria dos smartphones, logo, seria inteligente poder usar este recurso, tal como a Xiaomi oferece na MIUI.

A outra parte funcional é o Bixby Vision, que funciona em tempo real na câmera, nas fotos da galeria ou até mesmo no navegador da Samsung. Você pode apontar sua câmera para o rótulo de uma garrafa de vinho para encontrar mais informações por meio do Vivino, traduzir uma placa em russo para o seu idioma, encontrar sugestões de locais perto de um ponto turístico ou ler QR Code.

É bem verdade que o Bixby deve melhorar com o tempo e ainda está apenas em sua primeira versão, mas, no estágio atual, ele não passa de um Google Now mais limitado com alguns truques básicos de visão computacional.

Câmera

A Samsung praticamente não mexeu na câmera traseira em relação à geração anterior. O Galaxy S8 tem sensor de 12 megapixels e lente com abertura f/1,7 — que continua sendo uma das maiores do mercado, o que em teoria permite fotos noturnas de melhor qualidade. Ele não tem exatamente o mesmo sensor do Galaxy S7, mas tem o mesmo número de pixels, o mesmo tamanho físico e as mesmas tecnologias.

Isso é ruim porque não houve um avanço realmente significativo na qualidade das fotos, mas, por outro lado, pode ser bom porque a câmera do Galaxy S7, mesmo em 2017, ainda se sobressai na multidão.

No software, a Samsung colocou alguns efeitos especiais no aplicativo de câmera, como carimbos, stickers e máscaras em tempo real, a funcionalidade inútil mais importante e popular do momento. E houve melhorias na usabilidade, sendo possível controlar o zoom (digital, infelizmente) apenas deslizando o botão do obturador para cima ou para baixo, evitando o gesto de pinça.

O movimento lento faz vídeos em câmera lenta a impressionantes 970 frames por segundo; o intervalado faz time lapses; e o foto virtual produz imagens em 360 graus de algum objeto. Em ambientes escuros, a câmera surpreende. Veja essas fotos tiradas em uma sala com a luz apagada. Nem parece que o local estava tão escuro! Em vídeo, é possível gravar até 4K a 30 fps, ou Full HD a 60 fps.

Já a câmera frontal é de 8 MP, com foco automático, mas não possui flash. Ainda assim, ela tira fotos de qualidade, mesmo em ambientes escuros, e tem até uns filtros à la Snapchat para brincar. A crítica é para algo que já virou padrão em câmeras de selfie, que é o excesso de suavizações. Dependendo de como se utiliza esse recurso, você vai acabar parecendo um boneco de cera na imagem. Então, nossa sugestão é: use com moderação!

Bateria e extras

A Samsung optou por oferecer um par de fones de ouvido fabricado pela AKG, empresa reconhecida pelo alto padrão dos produtos que vende. O acessório tem um encaixe muito bom no ouvido e é de boa qualidade, com graves bastante acentuados.

Claro que não devemos compará-lo a um fone de ouvido profissional, mas ele realmente resolve o problema daqueles que querem ouvir música no caminho de ida e volta para casa. Já a caixa de som embutida no aparelho é somente OK e aqui existe um pequeno problema, que é o posicionamento dela. É muito fácil abafá-la com a própria pegada, ou mesmo apoiando o smartphone no corpo.

Quando o assunto é bateria, é necessário apontar uma questão importante. Os novos processadores embarcados no S8+ foram feitos em uma litografia de 10 nanômetros, garantindo assim que a Lei de Moore continue firme e forte no mundo tecnológico.

Essa história de 10 nanômetros, em resumo, é o seguinte: smartphones com processadores com litografia menor tendem a ser mais eficientes no consumo de energia, então, usar esse processador deveria significar algo muito bom para a duração da bateria. Mas, vamos aos testes.

Para chegar a uma resposta concreta, vamos fazer umas contas e comparar com o S7 Edge para podermos dizer se houve ou não uma evolução. É fato: o S8+ tem um processador mais econômico. Por outro lado, tem também uma tela maior, ou seja, teoricamente pode gastar mais energia por causa disso. O S7 Edge tinha uma bateria de 3600 mAh e o S8+ tem um tanque um pouco menor, de 3500 mAh.

Dito isso, em nossos testes, pudemos comprovar que a bateria dele dura menos que a do irmão mais velho, mesmo com o processador mais econômico. O S8+ gastou 12% de energia em uma hora de streaming de vídeo com a tela em brilho máximo, enquanto o S7 Edge gastou 10%. Não seria nada mal se a Samsung, no mínimo, deixasse a bateria do mesmo tamanho, né? Pudemos comprovar que houve sim um comprometimento da autonomia.

É bom lembrar que temos a capacidade de fast charging nesse aparelho. Em nossos testes, garantimos 30% de bateria em cerca de 20 minutos, e uma carga cheia em uma hora e meia plugado na tomada.

Hardware

O modelo brasileiro do Galaxy S8 tem processador Exynos 8895, ligeiramente mais potente que o Exynos 8890 do antecessor. Ele conta com quatro núcleos Exynos-M1 de 2,3 GHz de alto desempenho e quatro núcleos Cortex-A53 de 1,7 GHz de baixo consumo de energia. É o primeiro chip para dispositivos móveis com litografia de 10 nanômetros, junto com o Snapdragon 835.

O desempenho é muito bom. Ele tem um multitarefa eficiente, que não fica matando os aplicativos em segundo plano (diferente do que acontecia nas primeiras versões de software do Galaxy S7), não apresenta sinais de engasgo e faz qualquer coisa com um pé nas costas. Como o Galaxy S8 tem o melhor processador do mercado, se ele não rodar bem um jogo, é pouco provável que outro Android rode.

Como ainda não conhecemos as capacidades do Exynos 8895, vale dar uma olhada nos resultados de benchmarks sintéticos:

A RAM continua em 4 GB, o que pode ser um fator de gargalo no futuro, especialmente se o aparelho for utilizado com o DeX — foi um passo conservador da Samsung, já que outras fabricantes começaram a apostar em 6 ou até 8 GB de memória em seus topos de linha. Já a capacidade de armazenamento saltou para 64 GB, mantendo a entrada para cartões de memória.

O Galaxy S8 tem os sensores e conexões que todo flagship tem, além de alguns adicionais, como o LTE Gigabit (mas isso ainda é pouco útil nas redes móveis brasileiras), a dupla NFC e MST para fazer pagamentos com o Samsung Pay, além dos leitores de batimentos cardíacos e saturação de oxigênio no sangue, que algumas pessoas juram que utilizam.

Bixby

A samsung não poderia ficar de fora da moda em assistentes pessoais, o Galaxy S8 vem embarcado com a Bixby. Diferentemente do Google Now a Bixby não fica ouvindo o som ambiente o tempo todo, ela tem um botão lateral que a aciona quando o usuário deseja. A vantagem é que ela entende mais do contexto das informações.

Mas não se anime, a maioria destas funções não são disponíveis em português

Em teoria, você pode falar para ela “Bixby, tire uma foto!”, e ela vai tirar. Depois, você pode dizer “Mandar por Whatsapp para o João”, pois ela vai entender que você está se referindo às imagens recém-capturadas. E estou falando “EM TEORIA” porque temos um problema aqui. A Bixby, em toda sua plenitude, foi colocada em standby, mesmo nos Estados Unidos.

Aqui no Brasil, então, as funcionalidades são muito poucas. Você já pode, por exemplo, fazer coisas que o Google Now já executa, como vasculhar seus emails e dar avisos com relação a compromissos na agenda, ou tirar foto de algo e buscar por imagens semelhantes.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 12 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, BDS, Bluetooth 5.0, USB-C, NFC, MST;
  • Dimensões: 148,9 x 68,1 x 8 mm;
  • GPU: Mali-G71 MP20;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 256 GB;
  • Memória interna: 64 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 155 gramas;
  • Plataforma: Android 7.0 Nougat;
  • Processador: octa-core Exynos 8895 de 2,3 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola, barômetro, impressões digitais, íris, batimentos cardíacos;
  • Tela: Super AMOLED de 5,8 polegadas com resolução de 2960×1440 pixels e proteção Gorilla Glass 5.

Vale a pena?

A Samsung definitivamente acertou em vários pontos, principalmente com relação ao design do aparelho, mas como dito pecou na posição do sensor de digitais e na autonomia da bateria que acreditamos que poderia ter sido bem melhor, mas como a Samsung já vem de um fiasco por conta de uma bateria com capacidade maior achamos que ela não quis arriscar uma segunda vez neste quesito.

Apesar das opções de software, que oferecem uma autonomia de bateria maior, pagar R$3.499,00 por um smartphone também significa poder usufruir de todos os recursos que o mesmo oferece. No caso do Galaxy S8, é possível ter tudo, mas a consequência maior será ter que carregar o dispositivo mais vezes. O fato de termos uma das opções mais rápidas de carregamento no Galaxy S8 ajuda a contornar essa situação.

O Galaxy S8 é equipado com o melhor processador do mercado, a melhor tela do mercado e uma das melhores câmeras do mercado. Se dinheiro não for um problema, ele é uma compra certa. A Samsung acertou em praticamente tudo e criou um produto que deixa para trás um dos maiores fiascos de sua história.

Valores:

Samsung Galaxy S8 – R$3.999,00
Samsung Galaxy S8+ (Plus) R$4.399,00

VISÃO GERAL
Design
10
Tela
10
Câmera
10
Desempenho
9
Software
8
Bateria
8
Conectividade
10
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  • DaviMcouto

    Estou atrasado, aqui… mas sensacional o review. Mostrou bem os pontos positivos e negativos. Inclusive com o toque de humor nos “leitores de batimentos cardíacos e saturação de oxigênio no sangue, que algumas pessoas juram que utilizam.” hahahahah!

    Eu gosto muito do s7, e por enquanto não vejo vantagens em troca-lo.

    • Você andou sumido moço, até nos preocupamos hahahaha bem vindo de volta =)

  • Brotherhood of HUE

    Muito bom o Review, só gostaria de confirmar uma informação:
    O slow motion dele realmente faz a 970fps com resolução de 720p?

    PS: mas ainda acho muito ruim, desnecessárias e frágeis essas telas EDGEs…

    • Sim o slowmotion dele grava a 970fps, não é um recurso que a gente focou em analisar, mas pelo o que testamos ele até que se saiu bem

  • Tom

    E um belo aparelho, adorei o formato da tela, as barras laterais nos vídeos são pequenas e não me incomodam, a tela é grande mas as dimensões são compactas, tem uma pegada ótima, o maior defeito e não estar no meu orçamento.

    • Você comprou um Tom????

      • Tom

        Não, apenas mexi nele, adorei mas minha próxima aquisição deverá ser um zenfone 3 que tem um custo mais justo.

        • Ele pode ser nosso próximo Review também, estamos tentando hahahaha

  • jairo

    Excelente review , realmente conseguiu um belo raio x do gadget , com certeza será uma boa aquisição em 2018 quando o preço estiver ao redor de 2 K -)