O Galaxy S6 Edge é tudo o que a Samsung deveria ter feito desde o início. Essa, ao menos, foi a sensação que tivemos durante o período de testes para este review do novíssimo top de linha com tela curvada. O aparelho, que chegou ao Brasil em abril deste ano, reúne desempenho de ponta, sistema mais limpo e um design – finalmente – acertado, confira nosso review sobre o mais novo Topo de linha da Samsung.

Design

O design do Galaxy S6 Edge é o seu ponto de maior elegância. Finalmente o smartphone topo de linha da Samsung parece custar tanto quanto custa. Esse não é um aparelho com uma tampa traseira fina feita de plástico que parecia ser um item de um dispositivo de baixo custo de uma marca qualquer. O Gorilla Glass 4 foi uma escolha acertada para dar refinamento ao S6 Edge. Fora isso, o item também é resistente a riscos que apareceriam no cotidiano em um smartphone, apesar de não ser tão impressionante quanto o LG G Flex 2, que pode se regenerar desse tipo de dano. O aparelho da Samsung já apareceu em uma série de vídeos sendo jogado no chão, portanto, resistência parece ser um fator real para este produto.

 

Outra característica “importada” do Galaxy Note Edge são as bordas de metal ao redor do corpo do aparelho. Esse detalhe mostra a atenção que a empresa deu ao visual do produto, bem como à resistência contra quedas.

No entanto, alguns quesitos mudaram em relação ao S5 devido a essa escolha de mudança radical de design e nem tudo foi para melhor. Como há menos espaço na carcaça, cuja espessura é de 6,8 mm (0,1 mm a menos que o iPhone 6), a entrada para cartão microSD foi sacrificada. Agora, o aparelho vem com 32 GB em seu modelo mais básico, porque “16 GB é muito pouco”, segundo a empresa.

A bateria não é mais removível, portanto, se você escolhia os dispositivos da Samsung por causa da possibilidade de usar baterias adicionais, essa vantagem desapareceu. O mesmo aconteceu com a proteção contra a entrada de água e poeira que vimos no Galaxy S5, que podia ser mergulhado a 1 metro de profundidade durante até 30 minutos.

Não é possível falar do design do Galaxy S6 Edge sem mencionar a semelhança com o iPhone 6 especialmente na parte inferior. O conector de cabo microUSB, o de fone de ouvido e o alto-falante mostrando-se alinhados de forma extremamente parecida com o aparelho da Apple. Não que isso seja um ponto negativo, talvez esse seja mesmo a melhor acomodação de componentes para um smartphone tão fino, mas essa iniciativa da diretoria de design da Samsung é arriscada, porque, vale lembrar, a companhia já travou disputa judicial por ter copiado o visual do iPhone no passado. Até o momento, não se tem notícia de um processo semelhante envolvendo o S6 Edge, nem o S6.

A fina espessura traz à tona outra característica visual que nos faz pensar no iPhone 6: a câmera do aparelho da Samsung é saliente. O módulo não é pequeno o suficiente para que fique alinhado à parte traseira do aparelho, assim como acontece com a câmera iSight do smartphone da Apple.

A ergonomia do aparelho não é ruim, só é um tanto incomum segurar um produto cujas laterais são parte da tela e não simplesmente laterais normais. Um ponto negativo do manuseio é que a tampa traseira, por ser de vidro, deixa marcas de dedos com grande facilidade. Isso acontece de tal forma que, durante os testes na Arena 4G, chegamos a ter um pequeno problema no leitor biométrico: durante o cadastro da digital, o botão ficou marcado de tal forma que o software detectava que havia um dedo pousado sobre o componente mesmo quando não havia. Claro que o problema foi de simples resolução, bastando apenas limpar o botão na camisa.

É a tela curva?

A tela QHD do Galaxy S6 Edge tem qualidade de imagem excelente, assim como a do Note Edge. A tecnologia utilizada neste componente é a SAMOLED, que, basicamente, atua como o OLED convencional. Com isso, não há dependência de retroiluminação e, portanto, o contraste é melhor e o consumo de bateria é menor do que os paineis com tecnologia LED, usados em smartphones mais baratos, como o Motorola Moto E.

São muitos pixels: 2 560 por 1 440 pixels em 5,1 polegadas de tela. Isso resulta em 577 pixels por polegada.

A calibração das cores é excelente no modo padrão, chamado de “adaptativo”. Também há outras configurações com maior ou menor saturação das cores. Fica a gosto do usuário.

Desempenho

A Samsung colocou um Exynos 7420 nesta belezinha. Nós estamos falando de um processador octa-core que na verdade combina 4 núcleos rodando na frequência de 2,1 GHz e outros 4 a 1,5 GHz. O resultado é um smartphone bastante veloz para a realização de diversas tarefas, inclusive simultaneamente. Você consegue utilizar o multitarefa para assistir ao episódio de uma série no player nativo enquanto navega pela sua timeline no Twitter. A própria fabricante inclui uma ferramenta para redimensionar e organizar na tela os vários apps rodando ao mesmo tempo – algo impensável no iOS.

Da mesma forma, os aplicativos carregam muito rapidamente. Eu uso bastante o Gmail, Inbox, Telegram e WhatsApp no meu cotidiano. Bastava tocar no ícone na tela inicial para que os aplicativos abrissem imediatamente, sem engasgos, ainda que não houvesse informações em cache naquele primeiro momento (quando a interface carrega com alguns elementos em branco).

Sabe o que me incomoda? O teclado nativo da Samsung. Parece que eles ainda não chegaram num nível de desenvolvimento que permita entregar um teclado para touchscreen inteligente o suficiente para compreender que o verbo “checar” existe na Língua Portuguesa. Eu juro que tentei, mas no fim das contas corri para o teclado padrão do próprio Google (eleito o melhor para a plataforma pelo Verge). Ele também não é perfeito, mas ao menos não substitui “Tô fora” por “Tô foda”, como me aconteceu ao responder um convite no Swarm.

O Software

O sistema Android 5.0 Lollipop está presente, bem como a interface Touchwiz — muito criticada por analistas de produto em todo o mundo nos últimos anos. Dando ouvidos a esse pedido, a Samsung suavizou a Touchwiz e agora há menos apps pré-instalados. Ainda assim, há alguns itens desnecessários, como o Entertainer, que mostra os principais eventos da cidade. A proposta é boa, mas a questão é que não há conteúdo voltado ao publico brasileiro. Contudo, vale notar que pode haver diferença entre a versão de teste e a versão vendida nas lojas.

A grande novidade, em termos de software, é que agora o bônus de armazenamento na nuvem não é oferecido pelo Dropbox, como aconteceu nos últimos integrantes da linha Galaxy S (eram 50 GB gratuitos por dois anos). O benfeitor passou a ser a Microsoft, que oferece 100 GB de espaço gratuito na nuvem por 24 meses. Depois desse período, novos dados não podem ser gravados, ou seja, so é possivel acessar os arquivos guardados e baixá-los.

Entre os apps típicos dos smartphones da Samsung, encontramos o S Voice, que agora funciona como o Google Now do Moto X. Configurando uma palavra-chave, você pode controlar o aparelho à distância somente usando a sua voz. É possível pesquisar na web, fazer uma ligação ou iniciar o player de música, para citas alguns exemplos.

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A agenda chamada S Planner recebeu um update visual, que o deixou mais atraente e funcional. Por exemplo, o calendário mensal tem três visualizações diferentes que podem ser alternadas com o simples gesto de deslizar o dedo. Simplicidades como essa chegam até a estimular o usuário do S6 Edge a organizar melhor sua agenda.

A loja Galaxy Apps continua basicamente a mesma. Em sua seção Gifts, encontramos várias ofertas de conteúdo gratuito, como filtros do app de fotografia VSCO, seis meses de assinatura Premium no Pocket, entre outros. Vale a pena explorar essa loja e descobrir tudo que a Samsung oferece como bônus para quem compra este aparelho.

Problemas com o Android

Mesmo com um processador octa-core associado a memória RAM de 3 GB, percebi que o desempenho do dispositivo começou a se deteriorar.

Um colega jornalista bem diz que RAM nunca é demais no Android. Quanto mais você oferece ao robôzinho do Google, mais apetite ele gera. O resultado é uma experiência com ligeiros engasgos ao pressionar o botão Home para voltar à tela inicial. Carrega o papel de parede, mas os ícones de apps carregam instantes depois. Não chega a ser absurdo, só que não é o que o consumidor espera de um smartphone topo de linha e com preço tão elevado.

Galaxy s6 ram

O aplicativo Gerenciador Inteligente promete auxiliar na tarefa de melhorar o desempenho S6 Edge. Ele funciona como qualquer outro limpador de RAM. Com o aparelho em mãos neste mesmo, o app informa que o Android está usando 84% da memória (461 MB livres. Toco em “Limpar tudo”. Instantes depois… O Edge ainda utiliza 59% da memória (1,1 GB livre).

Ainda no meu experimento para este artigo, eu toco no botão de gerenciamento de janelas e mando fechar todas elas. Em seguida, volto para o Gerenciador Inteligente: 60% de uso de memória, com 1 GB livre.

Ao tocar especificamente em RAM, um relatório me aponta que o Facebook é o programa que mais utiliza recursos do smartphone. Se você quer preservar ao máximo o desempenho, talvez seja uma boa ideia deixá-lo de fora do seu celular. 

Tela

Nem só de curva vive a tela do Galaxy S6 Edge: ela ainda conta com uma resolução de impressionar. São 1440 x 2560 pixels, distribuídos pelas 5,1 polegadas, número que inclui a curvatura do display. Isso gera uma densidade de 577 ppi, e torna os pixels, os pontinhos que compõem a tela, impossíveis de se enxergar a olho nu. É muita, muita coisa, e chega a ser exagerado. Uma tela Full HD, por exemplo, tem 1080 x 1920 pixels e nela já não é possível ver os tais pixels. Em linhas gerais, o S6 Edge não precisava de tanta resolução de tela, e no cotidiano não faz a menor diferença usar o top ou usar o Moto X, que tem display “apenas” Full HD. 

O display é um Super Amoled, com uma saturação incrível e brilho idem. Ele é fácil de enxergar sob luz do sol e tem ótimos ângulos de visão, inclusive nas áreas curvadas. Aliás, mesmo ali o aparelho tem resposta rápida ao toque. 

Câmera

Dezesseis megapixels com foco automático, estabilização de imagem e abertura de f/1.9. Na prática, isso significa que o Galaxy S6 Edge faz fotos magníficas – quando você as visualiza na tela do próprio smartphone. O display de 5,1 polegadas e 1440×2560 pixels é o ambiente perfeito para ver os seus registros fotográficos. Muito brilhante, ele reproduz bem as cores vibrantes de uma cesta de frutas, por exemplo. Ou ainda o azul do oceano.

Agora vai ver as mesmas fotos na tela um pouco maior do notebook. Você perceberá nas amostras que acontece aquele efeito chato de aquarela – parece que as fotos foram de alguma forma lavadas. O pós-processamento da Samsung é muito intenso, criando este efeito que pode não agradar em telas maiores. As mesmas imagens ficam incríveis para postar no Instagram ou mesmo no Facebook, mas ainda assim eu preciso alertar: a limitação existe.

Um dos pontos fortes, até pela abertura da lente, são as fotos no escuro. Eu fiz alguns registros das orlas de Búzios e do Rio de Janeiro ao entardecer e já de noite, respectivamente. Perceba que são fotos em que é possível ver praticamente todos os elementos, sem ficar aquele apagão.

A gravação de vídeo é igualmente interessante. A captura em 1920×1080 possui uma estabilização que deixa as imagens menos tremidas mesmo quando o usuário faz movimentos bruscos – como você pode ver na amostra acima. Também fiz testes com o Full HD e resolução UHD em ambiente com iluminação natural, mas o vento intenso atrapalhou a captura de áudio.

Bateria

O Galaxy S6 Edge tem uma bateria de 2.600 mAh – superior à do iPhone 6, com 1.810 mAh, mas ao mesmo tempo, inferior à do Galaxy S5, com 2.800 mAh. Melhor do que falar sobre números e possibilidade, eu usei o aparelho continuamente e fiz um registro do tempo de uso. Vamos ao meu querido diário de bateria:

  • 10h10 – Retirei o dispositivo da tomada com 100% de bateria.
  • 11h12 – 89% depois de uma chamada telefônica de quase 25 minutos. Aqui eu comecei a ouvir música por streaming no Spotify, conectado ao Wi-Fi de casa.
  • 12h36 – 67%.
  • 14h58 – 33%.
  • 16h19 – 3%. E morreu instantes depois, numa tentativa de salvar alguma carga para uma eventual emergência.

Portanto, uma duração de bateria de 6 horas e 9 minutos em um dia regular. Eu consultei o email em diversos momentos e também passeei pelas timelines de redes sociais enquanto estava no metrô. O Wi-Fi permaneceu ligado, embora nem sempre conectado, e o brilho da tela estava em modo automático. Eu costumo deixar como parâmetro uma iluminação por volta de 65%.

O desempenho é ruim como em qualquer smartphone repleto de recursos. O iPhone 6 passa pelo mesmo problema e parece que a indústria ainda não encontrou uma maneira de fazer com que a bateria dure mais nestes aparelhos cada vez mais finos.

Pelo menos a Samsung inclui no kit do Galaxy S6 Edge o carregador com tecnologia de recarga rápida. Eles prometem 4 horas de autonomia depois de uma carga de somente 10 minutos. Não cheguei a fazer este teste, mas constatei que com 10 minutos recarregando, o Edge já tinha recuperado 40% da carga. Levou 1 hora e 23 minutos para chegar aos 100%.

Não posso relatar a mesma velocidade em relação ao carregador sem fio que a Samsung oferece como acessório para a linha Galaxy S6. Ele funciona no padrão Qi de indução de eletricidade. O aparelho circular lembra um pequeno disco voador que pousou na sua mesa. Ele utiliza o mesmo cabo com saída Micro USB do S6 (não vem com um segundo destes, portanto) e se ilumina quando está carregando o celular. É uma boa pedida para deixar no trabalho, assim você larga o smartphone carregando enquanto cumpre sua rotina diária. O preço: 249 reais.

Enquanto o Edge oferece 2.600 mAh, o iPhone 6 traz 1.810 mAh. As duas fabricantes agora estão juntas na decisão de incluir baterias não removíveis. A Samsung sustenta que não é mais necessário dar acesso aos componentes internos para uma eventual reposição porque o componente chegou num bom patamar. Entretanto, os técnicos da marca poderão trocá-lo nas assistências técnicas.

Conclusão

O Galaxy S6 Edge é incrível e diferente. A curvatura na tela, no entanto, não nos convenceu a pagar R$ 3.799 por um aparelho de 32 GB de armanzenamento interno. Hoje, ela não conta com funções suficientes que justifiquem os R$ 500 a mais em relação ao Galaxy S6 “comum”. Se você quer ter em mãos um dos melhores smartphones do mercado, competidor páreo para o iPhone 6, pode ir sem medo no Galaxy S6 – o display curvado não vai fazer falta. Por outro lado, se você quer ter em mãos o que há de mais inovador em matéria de display, vá em frente.

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O Galaxy S6 Edge é estupidamente caro. O fato de a versão de 64 GB custar R$ 4.299 o coloca numa categoria quase surreal de preços, no melhor estilo iPhone. Quem comprar vai ter a certeza de ter um top com pouquíssimos defeitos em mãos, mas dá para conseguir desempenho bom por menos. Comprando um Moto X ou um LG G3, o usuário leva um celular que também roda o que há de melhor, com uma câmera ok e tela ótima (Full HD no Motorola e Quad HD no LG)… Por cerca de R$ 1.500. No custo-benefício, o S6 Edge escorrega e perde para a concorrência.

Especificações Técnicas

  • Processador: Exynos 7420 octa-core (quad-core a 2,1 GHz + quad-core a 1,5 GHz);
  • GPU: Mali-T760MP8;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Bateria: 2.600 mAh;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Slot para memória: não;
  • Tela: Super AMOLED de 5,1 polegadas com resolução de 1440×2560 (557 ppi) pixels e proteção Gorilla Glass 4;
  • Câmeras: traseira de 16 MP e frontal de 5 MP;
  • Conectividade: 3G, 4G LTE (Cat. 6), Wi-Fi 802.11ac, Wi-Fi Direct, GPS, NFC, Bluetooth 4.1, Micro USB 2.0;
  • Plataforma: Android 5.0.2 Lollipop com interface TouchWiz;
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, proximidade, bússola, barômetro e impressão digital;
  • Dimensões: 142,1×70,1 x 7,0 mm;
  • Peso: 132 gramas.