O Galaxy Note Edge é um foblet lançado pela Samsung na IFA 2014. Ele possui duas telas: a frontal tradicional e uma na lateral esquerda, ambas com resolução Super Amoled Plus QHD (1440p). A tela adicional do gadget pode ser usada para adicionar atalhos de aplicativos, exibir informações do calendário, textos, entre outros. Além disso, o dispositivo ainda traz um processador Snapdragon 805 de 2,7 GHz, 3 GB de RAM e até 64 GB de armazenamento interno. Há também entrada para microSD de até 64 GB e bateria de 3.000 mAh, Android 4.4 (KitKat) e as conectividades 4G, 3G, Wi-Fi, Bluetooth, Infravermelho e NFC.

Design e Tela

A primeira reação das pessoas a quem mostrei o Galaxy Note Edge foi mista. Umas, mais empolgadas, diziam algo como: “nossa, que da hora isso aqui!” (apontando para a lateral). Outras, mais contidas, perguntavam se a curva não tornaria o aparelho frágil numa queda ou incomodaria durante o uso. Fato é que a dobrinha realmente chama a atenção. Este é o primeiro aparelho com o peculiar detalhe no display (e único, se você considerar que as curvas do Galaxy S6 Edge são bem mais contidas).

samsung-galaxy-note-edge-product-photos01(2)

Não posso comentar sobre a resistência do Galaxy Note Edge por motivos óbvios, mas a borda curvada realmente atrapalha no manuseio em alguns momentos. O software da Samsung parece razoavelmente esperto para ignorar toques acidentais com a palma da mão, mas não é perfeito. Os problemas acontecem especialmente ao segurar o aparelho com a mão direita e tentar alcançar algo do lado esquerdo da tela com o polegar: por vezes, alguma função indesejada é acionada.

samsung-galaxy-note-edge-product-photos07

Eu também diria que essa borda, por ser bastante pontuda, chega a ser um pouco desconfortável em alguns momentos. Além disso, como o Galaxy Note Edge é grandalhão, frequentemente é necessário segurá-lo com as duas mãos — mas a curvinha acaba prejudicando a pegada. Portanto, a novidade da Samsung mais parece um conceito ou experimento do que um produto realmente finalizado e testado.

Embora a ergonomia não seja das melhores, é notável o avanço da Samsung no design. O acabamento do Galaxy Note Edge é uma espécie de transição entre os antigos aparelhos da sul-coreana e os novos Galaxy S6. A traseira de plástico com textura que imita couro continua lá, mas a moldura ganhou um belo alumínio com bordas chanfradas, que causam uma ótima impressão inicial.

samsung-galaxy-note-edge-product-photos09(2)

A tela merece igual elogio. Especialmente nos últimos dois anos, a Samsung tem caprichado bastante nos painéis AMOLED dos topos de linha. O display de 5,6 polegadas do Galaxy Note Edge é ótimo: ele tem o preto real do AMOLED, um branco que não deve quase nada aos IPS LCD e cores vibrantes, sem exageros. Praticamente não há perda de brilho ou contraste mesmo em ângulos de visão mais desafiadores, e é possível enxergar perfeitamente o conteúdo da tela sob a luz do sol.

Com resolução de 2560×1600 pixels, acho desnecessário comentar qualquer coisa sobre a definição da tela.

Desempenho

Assim como o Galaxy Note 4, o Edge é também um dos aparelhos mais potentes do portfolio da Samsung. Em termos de desempenho, o produto se saiu muito bem em nossos testes, não apresentando travamentos ou engasgadas em nenhum momento. Jogos que requerem maior capacidade de processamento gráfico também não serão problema.

A transição entre apps é feita de forma satisfatória. De fato, o aparelho consegue rodar com tranquilidade praticamente tudo que está disponível na Play Store. O processador Snapdragon 805, aliado a 3 GB de RAM, se mostra mais do que suficientes para atender as necessidades de todos os tipos de consumidores.

Áudio

Simples e funcionais, os fones de ouvido que acompanham o Galaxy Note Edge vão quebrar um galho para a maioria dos consumidores. Não espere muita qualidade, afinal eles são os mesmos incluídos em outros aparelhos com preço mais acessível. A qualidade sonora do aparelho em si também é apenas regular, com um speaker mono na parte traseira.

Bateria

Ao contrário do Note 4, o Note Edge dispõe de uma bateria de 3000 mAh. Trata-se de 220 mAh a menos do que a  bateria do Galaxy Note 4, e, na verdade, a diferença é difícil de se detectar. O Galaxy Note Edge consumiu 20% de energia em 6 horas de uso intenso no teste.

samsung-galaxy-note-edge-product-photos14

O Software

A interface TouchWiz, ao menos desta vez, não decepciona e se mostra mais leve do que o que já vimos em versões anteriores. Embora o consumo de RAM continue alto, os 3 GB suprem todas as necessidades, numa garantia de que o usuário não vai ficar na mão.

A integração com a tela secundária e também com as ferramentas específicas da S Pen é a melhor possível. Essas características fazem com que a flexibilidade de uso do Galaxy Note Edge seja enorme, atendendo a praticamente todos os gostos.

samsung-galaxy-note-edge-product-photos30

Porém, vale mencionar aqui que a borda lateral ainda é uma novidade em caráter experimental: há poucos recursos disponíveis e a expectativa da Samsung é que, com o passar do tempo, os desenvolvedores se interessem pela novidade e criem novos usos para a plataforma. 

Câmera

A câmera do Galaxy Note Edge faz jus ao preço do aparelho. O sensor de 16 megapixels em conjunto com a lente de abertura f/2,2 consegue capturar belas imagens, com cores que agradam, nível de detalhes acima da média e pouquíssimo ruído. O alcance dinâmico é bom, e está dentro do que costumamos ver nos smartphones mais caros.

Com zoom em 100%, é possível enxergar alguns artefatos gerados pelo algoritmo de pós-processamento da Samsung, que usa um filtro de sharpening mais agressivo que o dos concorrentes para melhorar a nitidez do quadro e uma técnica de redução de ruído que deixa um efeito de aquarela em objetos mais detalhados. Ainda assim, o Galaxy Note Edge chega perto do limite tecnológico do que é possível fazer hoje com uma câmera de celular.

De modo geral, as fotografias do Galaxy Note Edge não decepcionam em nenhum momento e são melhores que a de boa parte das câmeras compactadas dedicadas. Trata-se de uma das melhores câmeras do mercado.

Vale a pena?

O Galaxy Note Edge oferece praticamente a mesma coisa que o Galaxy Note 4. Os dois são ótimos phablets, mas o Edge tem uma autonomia de bateria menor e é um pouco mais desconfortável para ser manuseado. Porém, sua tela secundária pode ser considerada inovadora e prática em muitos momentos, mas a ideia ainda precisa de melhorias.

Em termos de desempenho, o modelo mostra porque é um dos top de linha da Samsung. Praticamente não há nada que o aparelho não faça bem. A tela Super AMOLED mantém a tradição da empresa sul-coreana em entregar bons displays para os seus consumidores.

Pesa contra ele o fato de que a interface TouchWiz ainda continua consumindo muita memória. Porém, nesse caso, há RAM de sobra para todas as tarefas, mesmo quando o aparelho é bastante exigido. Se você está disposto a pagar R$ 300 a mais apenas pela tela curva na lateral, sua escolha deve ser o Edge. Caso contrário, o Galaxy Note 4 entrega um desempenho levemente superior e com um custo mais acessível.

PRÓS

  • Hardware potente, que dá conta do KitKat e de jogos pesados.
  • Tela impecável, com alta definição e cores vibrantes.
  • Uma das melhores câmeras de smartphones do mercado.

CONTRAS

  • Além de não trazer nenhum benefício, a tela curvada atrapalha.
  • Leitor de impressões digitais ineficiente e falho.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 16 megapixels (traseira) e 3,7 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, Beidou, Bluetooth 4.1, USB 2.0, infravermelho;
  • Dimensões: 151,3 x 82,4 x 8,3 mm
  • GPU: Adreno 420;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 174 gramas
  • Plataforma: Android 4.4 (KitKat);
  • Processador: quad-core Snapdragon 805 de 2,7 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, luminosidade, impressões digitais, ultravioleta, batimentos cardíacos, barômetro;
  • Tela: Super AMOLED de 5,6 polegadas com resolução de 2560×1600 pixels.