Review do Quantum Fly: Um dos melhores custo-beneficio do mercado

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Prós

  • Ótimo desempenho geral
  • Sensor biométrico
  • Bateria que dura bem

Contras

  • A câmera ainda é um ponto fraco
  • Alto-falante
  • Se usar microSD, você só poderá ter um SIM card

Depois do sucesso de seu primeiro dispositivo o Go, a Quantum volta a balançar o mercado de smartphones lançando um top de linha com um preço imbatível, o Quantum Fly que chega para competir com dispositivos já consagrados entre os usuários, como o Moto G4 Plus. O aparelho chega ao mercado com preço de R$ 1.299 (ou, se você parcelar no cartão, R$ 1.499), confira abaixo tudo sobre o novo aparelho.

Design

Na parte de design o smartphone da Quantum da um show. Não dá para dizer que este é um aparelho feio. Ele tem um perfil bem fino e leve e ainda possui um estilo sóbrio e elegante. Isso quer dizer que não há nenhum elemento chamativo demais para prejudicar a coesão visual da carcaça e tudo foi posicionado da forma mais simétrica possível.

Na parte de trás, temos uma tampa de alumínio com a logo da empresa e um espaço para o leitor de digitais. Acima e abaixo dessa tampa existem duas faixas de plástico para as antenas, e a superior abriga a câmera, o flash e uma abertura para um microfone. A saída para fones de ouvido fica em cima, os botões de volume e energia, na lateral direita, e o slot para SIM e cartões de memória, no lado oposto.

Vale destacar que é possível usar dois chips de operadora (um micro e um nano) ou um chip e um cartão de memória. Decisão muito infeliz da fabricante que conhece todo criticismo que a Samsung e sua linha Galaxy A enfrentam no país por conta de fazer exatamente a mesma coisa nesse sentido. Afinal, não dá para usar os dois chips e um cartão ao mesmo tempo.

A escolha dos materiais, por sua vez, foi bem acertada, dando um aspecto bem premium ao dispositivo. Ele tem um vidro com bordas curvas, e a tampa de alumínio possui acabamento fosco atrás. Infelizmente, a moldura é toda de plástico.

Tela

No evento de lançamento, os fundadores da Quantum disseram que escolheram uma tela de 5,2 polegadas para o Quantum Fly depois de uma pesquisa com consumidores. Eles constataram que esse não é um tamanho grande, nem pequeno demais para os padrões atuais.

De fato, 5,2 polegadas é um tamanho bem interessante. Não precisei fazer malabarismo com os dedos para alcançar os extremos da tela ao usar o smartphone apenas com uma mão (isso é bem comum para mim quando pego transporte público). Pena que esse fator não diminuiu o tamanho do Quantum Fly: além de bordas grandes, a tela tem um espaço considerável na parte inferior.

Em termos de qualidade de imagem, o Quantum Fly não faz feio. O painel, do tipo IPS LCD, tem resolução de 1920×1080 pixels e densidade de 423 ppi. A intensidade de preto está dentro da média e deu para perceber que o branco pende ligeiramente para o amarelo. Mas a definição é boa, assim como os níveis de brilho e contraste. Dá para visualizar o conteúdo da tela a partir de ângulos variados sem dificuldades.

Essa não é a melhor tela que você encontrará em um smartphone, mas é inquestionável o salto de qualidade que temos aqui em relação ao display do Quantum Go.

Software

O Quantum Fly sai de fábrica rodando com o Android 6.0 Marshmallow e, assim como qualquer outro aparelho lançado recentemente por aqui, já conta com o update para o Nougat garantido. É claro que a Quantum ainda não estipula um prazo para distribuir o novo software, visto que o código final do SO foi liberado aos desenvolvedores e as fabricantes há pouco tempo.

Temos aqui um sistema pouco modificado, quase “puro”, com exceção de alguns ícones e softwares específicos, como o da câmera, o gerenciador de arquivos e o DashCam – que grava vídeos automáticos em modo piloto. Outro ponto positivo do software é a quantidade de apps, que totalizam 28, tornando o Fly um dos aparelhos com menos bloatwares do mercado – ao lado das linhas Moto.

Dos 32 GB disponíveis no armazenamento, cerca de 26 GB estão livres para o usuário. Isso é uma boa notícia e um benefício que só o Android pouco modificado pode oferecer.

Áudio

O Quantum Fly lembra um pouco o iPhone 6 em sua parte inferior. Com relação à saída de som, também temos uma semelhança com o dispositivo da Apple, visto que o Fly conta com uma “grelha” para resfriamento do aparelho e outra para abrigar o alto-falante mono.

A qualidade do alto-falante não é muito boa, podendo desagradar usuários que gostam de ouvir músicas em modo viva-voz. Existe um excesso de agudos que torna o som baixo e distorcido na medida em que o volume é aumentado. Os graves são pouco pronunciados e a falta de potência torna a imersão ao conteúdo menos interessante.

O speaker para ligações funciona muito bem. É possível ouvir a voz do contato com bastante clareza e sem muitos ruídos. O Quantum Fly conta com dois microfones, sendo que o segundo é dedicado a bloquear ruídos ambientes e sonoros para gravações de vídeos e chamadas.

Câmeras

Os sensores do FLY possuem 16 e 8 MP na parte traseira e na dianteira, respectivamente. Ambos são acompanhados de flash, sendo o de trás dual-tone. É possível fazer boas fotos com essas câmeras, mas é preciso ter paciência. O foco automático é muito lento, e, até quando você toca nos elementos da imagem para direcionar o foco a algum item específico, o sensor sofre para conseguir tornar a imagem nítida.

Mesmo fazendo tudo certo, você ainda corre o risco de obter imagens com aquele efeito ghosting, que mostra alguns “fantasmas” ao redor dos contornos das fotos. Basta abrir uma imagem feita pelo FLY no PC e dar zoom para conferir. A velocidade de captura também não é muito boa, o que torna esse aparelho uma opção inferior para fotografar entre os dispositivos da categoria.

O software de captura tenta compensar essas fragilidades oferecendo várias opções de filtros, personalização, modos e capturas com gestos. Contudo, elementos como o HDR deixam as imagens muito distorcidas.

Performance

Não há dúvidas de que a performance é um dos pontos altos do Quantum Fly. Contudo, é preciso analisar alguns aspectos que estão relacionados com esse quesito. O fato do aparelho ser embalado com um processador deca-core (dez núcleos) não faz do mesmo um modelo top de linha do mercado. Podemos dizer que o Fly é o high end da Quantum e que bate de frente com dispositivos como: Xperia XA, Galaxy A7 2016 e Moto G4 Plus. Todos enquadrados na categoria de intermediários avançados.

Além disso, os high-ends do mercado contam com conjunto impecável de recursos, que vão desde o visual, material utilizado no acabamento, passando pela câmera e terminando na conectividade. O Quantum Fly é uma boa referência na categoria que mencionei logo acima, e deverá ganhar mais destaque quando a versão mais básica do Zenfone 3 chegar por aqui.

Dito isso, o Quantum Fly é embalado pelo processador Helio X20, da MediaTek, com 3GB de memória RAM. Esse chipset possui uma tecnologia chamada Tri-Cluster, que segmenta os núcleos para atividades específicas. A ideia aqui é economizar energia e ativar os núcleos de acordo com a necessidade do sistema. Basicamente, o funcionamento do X20 é assim:

  • 1° conjunto quad-core 1,4 GHz A53: dedicados para tarefas de baixo desempenho
  • 2° conjunto quad-core 1,9 GHz A53: dedicados para economizar energia e executar tarefas medianas
  • 3° terceiro conjunto dual-core 2,1 GHz A72: dedicados para alto processamento

Essa distribuição de tarefas entre os núcleos funciona bem, evitando um consumo exagerado de energia ou aquecimentos no dispositivo. Tarefas que exigem menos do processador, como uso de redes sociais, funcionam bem assim como os jogos mais pesados, que rodam sem problemas no Quantum Fly.

Bateria

A célula de energia do FLY conta com 3.000 mAh, mas a autonomia do aparelho não é lá grande coisa. Com uma capacidade dessa, o dispositivo que tem uma tela Full HD poderia muito bem durar pelo menos um dia e meio longe das tomadas, mas não é esse o caso. O chip de 10 núcleos e os 3 GB de RAM consomem muita bateria e fazem com que o FLY tenha uma autonomia mediana para a categoria dos intermediários.

Em um teste executando continuamente vídeo em Full HD, com brilho da tela no máximo e WiFi ligado, conseguimos fazer o FLY durar 5 horas e 33 minutos em uma carga completa. Considerando o tamanho da bateria, esperávamos pelo menos mais uma hora. Entretanto, isso é o suficiente para que você consiga usar o celular um dia inteiro de forma mista sem se preocupar muito.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 16 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.1, USB 2.0, rádio FM;
  • Dimensões: 149,2 x 73,5 x 7,5 mm;
  • GPU: Mali-T880MP4 de 780 MHz;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 140 gramas;
  • Plataforma: Android 6.0 (Marshmallow);
  • Processador: deca-core MediaTek Helio X20 (64-bit) de até 2,1 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, luminosidade, impressão digital, giroscópio, bússola;
  • Tela: IPS LCD de 5,2 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels (423 ppi).

Conclusão

Para lançar o Go dentro de uma faixa de preços atraente, a Quantum teve que economizar em componentes como bateria e câmera. O mesmo princípio foi seguido no Quantum Fly: a câmera não empolga e a tela, embora tenha evoluído muito, não figura entre os itens que mais se destacam no modelo.

Mas esses são detalhes. No conjunto da obra, o Quantum Fly manda bem. O desempenho agrada bastante, a bateria é decente, os 32 GB de memória interna estão dentro do que eu considero o mínimo ideal para os padrões de hoje e o leitor de digitais é uma característica muito bem-vinda. Senti falta do NFC, mas se é para cortar um componente e manter o preço, que seja um que não é muito usado.

Considerando a faixa de preço, eu diria que o Moto G4 Plus é, hoje, o rival mais próximo do Quantum Fly. Dizer qual é o melhor é difícil porque isso depende dos anseios de cada um. No meu caso, câmera é um critério extremamente importante, o que me faria escolher o modelo da Motorola. Mas, se eu estivesse mais preocupado com desempenho, apostaria no Quantum Fly sem pensar duas vezes.

Com a onda de smartphones caríssimos que surgiram no Brasil nos últimos meses, o desconfiômetro vai lá para o alto quando algo tão focado no custo-benefício aparece. Mas a gente pode, sim, dar um voto de confiança. O Fly reflete um esforço real da Quantum para conquistar espaço entre marcas tradicionais. O resultado disso é um aparelho que, embora tenha fraquezas, é notável para a sua faixa de preço.

  • jairo

    Bom review , talvez o desempenho pífio da câmera possa ser revertido em.alguma atualização futura , por ser comercializado por aqui até que o preço está interessante, mais um midle end razoável.

    • Com certeza, mas igual você disse, por ser feito aqui o aparelho tem um preço super atraente, e as especificações são muito boas, com certeza fará sucesso, a câmera pecou um pouco, mas sem dúvidas há uma solução rápida para a resolução do problema, talvez claro, com a atualização para o Android Nougat