Prós

  • Leitor de digitais com gestos
  • Design com uma boa pegada
  • Desempenho bom
  • Tela agradável com bom brilho e nitidez

Contras

  • Som externo fraco
  • Câmera um pouco fraca, poderia ter sido melhorada

 

O Moto G5 foi lançado durante a MWC 2017 como uma das promessas de melhor custo-beneficio do ano, algo que vem sendo feito desde a primeira geração da linha Moto G que faz um grande sucesso em terras brasileiras. Desde o lançamento da nova linha aqui no país, todo mundo tem visto propagandas sobre os novos modelos em todos os lugares. O investimento por parte da fabricante é bastante óbvio, uma vez que o mercado brasileiro é um de seus principais alvos.

O Moto G5 vem com um design totalmente reformulado e inspirado na linha Moto Z, o dispositivo vem com a nova versão do Android e câmeras de boa qualidade (mas com alguns problemas), a Lenovo mostra que está antenada no mercado e quer conquistar mais fãs, mas será que a Motorola vai acertar novamente o sucesso de outras gerações do aparelho? É o que veremos.

Design

O Moto G5 tem design mais premium ao ser comparado com seus antecessores. O aparelho possui acabamento em alumínio de alta qualidade, que confere, além de beleza, maior durabilidade ao celular. Apesar de ser mais bonito do que o Moto G 4, a aparência não é um dos destaques do G5. O smartphone é grosso, com quase 1 cm de espessura, e tem uma “cara” um pouco bruta.

Na lateral direita, estão os botões físicos do Moto G5, responsáveis pelo bloqueio/desbloqueio da tela e por aumentar/diminuir o volume. Já na parte frontal, está localizado o leitor de impressões digitais. O botão permite utilizar a digital para desbloquear ou bloquear a tela de forma rápida e eficaz, dando maior segurança e privacidade ao dono do smartphone. Além disso, ele é inteligente e dispensa o uso dos botões capacitivos para realizar ações. O recurso funciona assim: ao ativar a função “Navegação em um toque”, é possível utilizar o leitor de impressões digitais para voltar para a tela anterior, abrir os aplicativos recentes ou voltar para a tela inicial.

Um dos problemas no design do Moto G5 é a dificuldade na remoção da tampa traseira. O celular possui bateria removível, além de ser necessário abri-lo para inserir os chips e o cartão de memória. No entanto, a Motorola não facilitou nesse quesito. É preciso o auxílio de algum objeto para remoção da tampa e isso pode acabar danificando algumas partes do smartphone. Além disso, você precisa utilizar uma pinça para retirar o chip.

O conector para fone de ouvido fica na parte de cima, e a entrada micro USB, que permite carregar o telefone, fica embaixo. Ao contrário de alguns aparelhos que possuem alto-falantes na parte frontal para chamadas e na parte traseira para a execução de áudio mais altos e potentes, o Moto G5 possui um único alto-falante na sua frente. Isso é bom quando o smartphone está apoiado em alguma superfície, assim, o som sai pela parte frontal.

As medidas do Moto G5 são: 144,3 mm de altura e 73 mm de largura, com uma tela de 5 polegadas. Apesar de grande, o Moto G5 tem boa pegada, não escorrega das mãos e não suja com facilidade. O aparelho pode ser encontrado nas cores platinum e ouro.

Tela

O Moto G5 tem um painel LCD IPS com definição Full HD de 5 polegadas. A tela oferece uma luminosidade adequada e está dentro da média de seus concorrentes. A legibilidade é excelente quando em condições de forte iluminação, desde que você aumente a taxa de brilho. Todos os detalhes são exibidos de forma legível, assim como as cores, que são bem ordenadas e vívidas. Existe um tom mais azulado em fundos brancos, mas isso é característica do painel LCD.

Entre as configurações da tela é possível calibrar as cores, escolhendo por tons mais amarelados ou azulados. Existem dois modos pré-selecionados: cores vivas ou normal. A diferença entre estes dois modos é mínima, salvo o aumento da saturação no modo vívido.

Hardware

Diferente do Moto G5 Plus, que tem hardware robusto e quase pende para o lado dos top de linha, o Moto G5 continua como um intermediário, com uma configuração que se alinha com a de concorrentes da mesma faixa de preço. As limitações no hardware deste produto são bastante óbvias, já que a fabricante não teria como incluir melhores componentes e manter o produto acessível.

É válido constatar que o hardware do Moto G5 é bem equilibrado. O chipset aqui é o Qualcomm Snapdragon 430, modelo que foi anunciado lá em 2015. Apesar de já ter algum tempo de mercado, ele é poderoso para tarefas rotineiras, dando suporte para telas Full HD com taxas de frames de até 60 fps.

Equipado com processador de oito núcleos, que operam com clock de 1,4 GHz, o Moto G5 entrega muita agilidade na execução das tarefas. Esse chip é rápido o bastante para realizar múltiplas tarefas simultaneamente, bem como para acelerar a execução de ações únicas. A navegação na interface é fluida e a utilização da câmera, por exemplo, é muito impressionante.

A Lenovo equipou o Moto G5 com 2 GB de RAM. A polêmica se repete, mas, a ideia é que ele não concorra com o Moto Z Play, que já é mais avançado. Sim, lá fora existe um Moto G5 com mais memória RAM, porém ele não chegará ao Brasil.

Todavia, é preciso salientar que isso realmente não faz diferença no uso do sistema e de múltiplos aplicativos. O Moto G5 não apresenta qualquer problema de travamento com vários apps abertos. Você pode usar Facebook, WhatsApp, Instagram, YouTube e dezenas de outros ao mesmo tempo; não será preciso fechar nada por uns bons dias.

Uma coisa muito legal é que a Lenovo lançou o G5 no Brasil já com 32 GB de memória de armazenamento, o que representa um passo muito importante na categoria dos intermediários, uma vez que o consumidor pode guardar milhares de fotos e músicas sem se preocupar com espaço. De qualquer forma, para quem baixa muitos filmes, é possível instalar um cartão micro SD.

Software

Pelo menos neste quesito a Lenovo não cometeu o deslize de não usar a versão mais atual do Android. O Moto G5 sai de fábrica com o Android 7.0 Nougat e uma interface com apenas algumas modificações — ainda dá para dizer que temos um sistema operacional “quase puro” aqui.

Em menus, listas de apps e afins quase não há mudanças, excesso por um widget aqui, um leve efeito de transição ali. Os diferenciais estão nos recursos do aplicativo Moto: com ele você pode configurar gestos e recursos de tela.

Para quem já tem ou teve certos smartphones da linha Moto, os gestos são bem conhecidos: segurando o aparelho, gire o punho duas vezes seguidas para ativar a câmera a qualquer momento (tipo Sinhozinho Malta, para quem pegou a referência); agite o aparelho duas vezes rapidamente para ativar o modo lanterna; deixe a tela virada para baixo sobre uma superfície para silenciar notificações; entre outros.

O Moto Tela — outro velho conhecido — também é bem legal. Esse modo exibe algumas notificações na tela de bloqueio e mostra o relógio automaticamente quando o smartphone é movimentado ou tirado do bolso, por exemplo.

Me agrada muito o fato de a Lenovo não encher o dispositivo de apps duvidosos. Os aplicativos pré-instalados são os essenciais: as ferramentas do Google, alguns recursos próprios da linha Moto e só. Nada de antivírus ou trial de games.

Bateria

O Moto G5 vem com bateria de de 2.800 mAh, que permite a utilização do aparelho por mais de 24 horas. Obviamente, a duração da bateria depende, essencialmente, do uso do celular; esse tempo só é alcançado para uso moderado, ou seja, para redes sociais, músicas e fotos.

Por padrão, nós realizamos um teste controlado e padronizado para conferir a autonomia da bateria. Nesse processo, nós executamos um vídeo de 1 hora no YouTube, com o WiFi ligado, o brilho da tela regulado em 50% e o som ativado. Ao fim do teste, anotamos a porcentagem de bateria restante e, dessa forma, fazemos um cálculo aproximado da duração da bateria até que ela se esgote para tal tarefa.

O teste com o Moto G5 foi bem surpreendente: pudemos constatar que a bateria tem autonomia total de 9 horas para reprodução de vídeo na internet. Agora, se você vai jogar, pode ser que esse tempo reduza um pouco para 7 ou 8 horas, dependendo do game. Vale notar que o Moto G5 ainda vem com carregador rápido de 10 watts, que dá horas de bateria em poucos minutos.

Eu estou habituado com um smartphone que tem bateria de maior capacidade e uma autonomia bem maior, mas achei que os resultados do Moto G5 foram muito bons para um modelo intermediário. Acredito que este modelo esteja entre os melhores da categoria e entregue uma experiência satisfatória mesmo para quem usa bastante a internet.

Áudio

O alto-falante mono do Moto G5 faz um trabalho bom, tanto para vídeos quanto para jogos. É claro que a qualidade do som não é perfeita, mas é satisfatória para a maioria das tarefas. Quando o volume está no máximo, dependo do áudio, a qualidade do som fica um pouco distorcida. A Lenovo poderia rever isso em seus próximos Moto G, que merecem sim saídas de áudio estéreo.

Você pode usar fones Bluetooth sem problemas, ou até mesmo outro de sua preferência. O emparelhamento é fácil e o som não fica destorcido. Qualquer opção que você escolher certamente será melhor que o fone que a empresa envia na caixa.

Câmera

A câmera do Moto G5 agrada, mas não impressiona. Na verdade, tive a impressão de que houve um ligeiro retrocesso aqui (novamente, comparando com a geração anterior). Com sensor de 13 megapixels e lente com abertura f/2,0, o componente faz bons registros, mas não raramente há falhas que não passam despercebidas.

Muitas vezes, há um excesso de branco, que pode inclusive deixar a imagem estourada. Também é relativamente fácil se deparar com perda de definição e ruído, mesmo em cenários bem iluminados. Pelo menos o modo HDR consegue dar uma amenizada nesses problemas.

Na frente, temos uma câmera com 5 megapixels e abertura f/2,2. Os resultados, na maioria das vezes, são satisfatórios. Sem empolgar, mas são. Os problemas de excesso de branco e perda de definição também ocorrem, mas não em níveis dramáticos. O pós-processamento dá uma suavizada nesses deslizes, mas não ao ponto de deixar a cara “lavada”.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.800 mAh;
  • Câmeras: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Glonass, Bluetooth 4.2, USB 2.0, rádio FM;
  • Dimensões: 144,3 x 73 x 9,5 mm;
  • GPU: Adreno 505;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB (24,6 GB disponíveis);
  • Memória RAM: 2 GB;
  • Peso: 144,5 gramas;
  • Plataforma: Android 7.0 Nougat;
  • Processador: octa-core Snapdragon 430 de 1,4 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, luminosidade, impressões digitais;
  • Tela: IPS LCD de 5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels (441 ppi) e proteção Gorilla Glass 3.

Conclusão

Definitivamente o Moto G5 não vai trazer de volta o sucesso das gerações anteriores da linha, o modelo tem um tamanho de tela que não é grande e nem pequeno demais — quem quiser algo maior pode recorrer ao Moto G5 Plus, por exemplo —, além de entregar bom desempenho nas aplicações mais comuns e oferecer um conjunto consistente de recursos, incluindo o sensor de digitais.

Provavelmente, o maior problema aqui é mesmo a sensação de falta de novidade: em relação ao Moto G4, a gente observa apenas algumas poucas melhorias, tanto que, se você tem um aparelho de quarta geração, a migração para o Moto G5 não deve valer a pena. Se você tem um Moto G3 ou anterior e quer continuar com um Moto, dá para pensar no assunto, do contrário, creio que compensará mais esperar pelo sucessor.

Encontramos aqui aquele tipo de smartphone que cumpre o que promete, mas não tem nenhuma característica que, por si só, pesa na decisão de compra. Para não dizer que não há inovação, temos os gestos no sensor de digitais, mas eles não são imprescindíveis.

Agora, se tudo isso não te convenceu, certamente o custo vai chamar a sua atenção. O Motorola Moto G5 chegou ao Brasil com preço oficial estabelecido em 999 reais! É isso mesmo, é um valor bem adequado para a proposta do produto, sendo que já há várias promoções com quase 100 reais de desconto e até mais do que isto. Se você quer muito um intermediário com bom desempenho, vai de Moto G5, que não tem erro. Parabéns para a Lenovo, que acertou na proposta!

  • jairo

    Bom e completo Review , se viesse com 3 GB de RAM para o Brasil e mantivesse o mesmo patamar de preco seria um sucesso , barrando inclusive a importação de midle ends da China .

    • Sim, mas como a empresa agora é da Lenovo então acabaram as boas expectativas sobre a linha