Review do Moto X Style: Grande e com estilo

Prós

  • Câmera de boa qualidade
  • Suporte a dois chips e cartão microSD
  • Velocidade de carregamento muito rápida
Contras

  • Bateria poderia ter autonomia maior
  • Tamanho e peso avantajados não agradam todo mundo

O Moto X Style foi apresentado, junto do Moto X Play e do já manjado e totalmente espalhado em rumores: Moto G de terceira geração. Esta versão do Moto X é o topo de linha desta família de produtos, entregando o melhor que a empresa tem para oferecer, com direito para dual-chip com 4G, slot para microSD, processador Snapdragon 808, 3 GB de memória RAM, câmera realmente melhor e Android ainda mais limpo do que antes, neste review do Moto X Style, vamos apresentar todas as características do aparelho bem como seus pontos fortes e fracos.

Design e tela

O Moto X Style é um sucessor legítimo do Moto X de 2ª geração. Diferentemente do irmão mais barato, que apostou em acabamento de plástico e design pouco refinado, o Moto X Style mantém a moldura de alumínio e a traseira com materiais “de verdade”, como madeira e couro. O smartphone é bem acabado, não tem folgas nos botões e possui a mesma identidade que a Motorola vem adotando há anos, com a leve curvatura na carcaça para (tentar) melhorar a pegada e uma frente limpa, dominada pela tela.

O que a Motorola não manteve foi a ergonomia ao longo das gerações. Eu gostava bastante do primeiro Moto X, lançado em 2013, porque a Motorola foi na contramão das outras fabricantes: enquanto os coreanos já colocavam displays maiores, os americanos de Chicago optaram por uma tela de 4,7 polegadas — a pegada era muito boa. O Moto X de 2ª geração veio com 5,2 polegadas, mas ainda era mais compacto que a concorrência. Já o Moto X Style marca a entrada no território dos phablets.

No final das contas, o que realmente agrada a maioria do público e vende mais são as telas grandes; é difícil nadar contra a maré quando se está tendo prejuízo. Nesse sentido, a Motorola fez um bom trabalho no Moto X Style: embora não pareça tão sofisticado como um Galaxy S6 Edge+ dourado, ele é um smartphone bonito de se ver e bastante funcional — os alto-falantes duplos realmente são estéreo (e potentes), a opção de traseira mais simples, com acabamento siliconado, tem boa aderência, e há até o mimo do flash LED na câmera frontal para satisfazer a demanda das selfies.

Aliás, falando em design funcional, é bom saber que a Motorola colocou uma entrada para microSD de até 128 GB para quem não se contenta com os 32 GB internos do Moto X Style. O cartão de memória vai na mesma bandeja dos dois Nano SIMs — inclusive, a variante com suporte a dois chips será a única comercializada no varejo. Se há espaço, por que não, certo?

O peso de 179 gramas e a espessura de 11,1 mm no ponto máximo podem ser sentidos logo de cara por quem estava acostumado com o Moto X de 2ª geração, sensivelmente mais leve (144 gramas), mas a diferença não chega a incomodar. A qualidade do acabamento continua a mesma (ou seja, é boa) e o fato da Motorola permitir personalizações no Moto Maker pode agradar os que querem fugir do preto e branco. Aliás, uma informação que a Motorola adiantou: a cor que você escolher para o detalhe na traseira, na câmera, será a mesma usada nas grades frontais dos alto-falantes.

Além do design, outro ponto controverso do Moto X Style é a mudança na tela, que foi de AMOLED para LCD. Eu não era um grande fã do display do Moto X de 2ª geração por causa das cores desequilibradas e tons estourados (diferente da Samsung, a Motorola ainda não estava acertando muito no AMOLED), mas havia quem gostasse da saturação mais forte e preto real da geração anterior.

Particularmente, acho a tela do Moto X Style muito boa. O painel LCD de 5,7 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels entrega brilho forte e boa saturação de cores; a Motorola até implantou dois modos de cor (Normal e Intensidade, este último com tons mais fortes e configurado como padrão) para tentar deixar todo mundo feliz. Embora a Motorola divulgue o display como sendo TFT, não se engane: isso não significa que o ângulo de visão é limitado, e ele não parece nem de longe com aquelas telas de baixa qualidade que a Sony adotava nos primeiros Xperia Z.

Desempenho

Por dentro do aparelho, nós temos um processador Qualcomm MSM8992 Snapdragon 808 que roda seis núcleos, sendo dois em 1.8 GHz e outros quatro de 1.44 GHz, todos com instruções para 64 bits, acompanhados de 3 GB de memória RAM LPDDR3, 32 GB de memória interna (com 24,06 GB livres para o usuário) e uma GPU Adreno 4180. A escolha do Snapdragon 808 pode estar relacionada com a mesma decisão que a LG tomou no G4, deixando de lado o mais potente 810 justamente por ser muito esquentadinho e levar tempo demais para baixar o nervosismo da cabeça quente. Temperatura muito alta faz com que o desempenho caia e o consumo de energia fique maior por mais tempo, nada agradável para os usuários – além de incomodar mesmo. Tudo roda bem, sem qualquer engasgo ou travamento mesmo quando há muitos aplicativos abertos ao mesmo tempo.

 

 

Tudo isso é controlado pelo Android na versão 5.1.1, com promessa da Motorola para atualização que leva até o Android Marshmallow assim que ela estiver disponível. A Motorola já trabalhava com uma versão mais pura do Android e agora o número de alterações está ainda menor. A limpeza do Android, extremamente útil, começa com o launcher que é o Google Now Launcher e sem nenhum widget ou atalho pré-definido pela fabricante, passa pela quantidade de 32 aplicativos instalados. São quatro da Motorola e o restante do Google, sendo que do total do Google temos o Google+, Play Banca e Play Games desinstalados – se quiser, é só baixar no Play Store.

A fabricante, para diminuir ainda mais sua mão em cima do Android, unificou o assistente pessoal, Assist, Gestos e Tela em um só app e ele é chamado de Moto (é um dos quatro apps da Motorola). Nele você controla e configura os comandos de voz que faz mesmo com a tela do aparelho desligada, configura se quer ou não o Moto Tela, configura os comandos por gestos (para abrir a câmera, ligar os LEDs traseiros, passar a mão para ligar a tela e levantar o celular para falar com o Moto Voz) e personaliza o Assist, que pode acionar alguns recursos de acordo com sua localização – como deixar no silencioso assim que você entrar no cinema e voltar para o perfil mais barulhento quando sair, tudo automaticamente.

O que me chamou atenção neste modelo são as novidades do Assist, que agora permite que você coloque o smartphone, por exemplo, selecione quais contatos farão o aparelho tocar se alguém te ligar enquanto estiver dormindo, ou então ler as mensagens que chegarem enquanto você está dirigindo – isso já existia desde o primeiro Moto X. A novidade é que agora você pode personalizar um local e escolher o que ele deve fazer. Ainda está longe de ser muito personalizável, mas dá para – por exemplo – colocar o aparelho no silencioso assim que você entrar no cinema, local que você coloca manualmente por um pin no Google Maps.

Jogos e multimídia

Não, você não está com o melhor que a Qualcomm pode oferecer em hardware, mas em games o Moto X Style acaba lidando muito bem com títulos pesados. A GPU é uma Adreno 418, que reproduziu de forma espetacular o pesado Real Racing 3, sem qualquer engasgo, travamento ou queda na taxa de quadros por segundo – enquanto todos os efeitos estavam no máximo. Tentei testar o Mortal Kombat X, que não rodou – sem qualquer explicação, ele carrega até a animação de abertura e fecha. Fim. Testei ainda o Asphalt 8, que rodou tão bem quanto o Real Racing 3 e também com todos os efeitos no máximo. Resumindo: ele consegue rodar qualquer jogo que está na Play Store hoje, com as mãos amarradas e os pés nas costas.

Para rodar músicas, não há player da Motorola e o único disponível é do Google, com o Play Música. Nativamente você reproduz os formatos MP3, eAAC+, WAV e WMA. Para vídeos não há qualquer solução que faça o trabalho, mas a galeria de fotos do próprio Android reconhece os arquivos MP4, WMV e H.264 de alta definição e sem engasgos

Software

O dispositivo sai de fábrica rodando com o Android Lollipop 5.1.1, com promessa de atualização para o Android 6.0 Marshmallow pelo fabricante assim que possível. O software entregue pela Motorola está mais puro do que nunca, principalmente pela remoção das configurações dos recursos de voz e gestos dos contextos do sistema. Todos os recursos extras do Moto X Style foram centralizados no aplicativo Moto, que vem embarcado de fábrica.

O dispositivo vem com 32 aplicativos pré-instalados, sendo quatro deles da Motorola: Ajuda, Migração, Connect e Moto. A suíte do Google marca presença no Moto X Style parcialmente completa, visto que o Google+, Play Games e Play Banca não estão instalados de forma nativa.

Com relação ao sistema, a experiência obtida é a mesma que já conhecemos em outros dispositivos da Motorola: software praticamente puro. Vale mencionar que a empresa não retirou nenhuma função nativa do Lollipop 5.1.1, ou seja, você terá controle total sobre as notificações de aplicativos, suporte nativo para dual-SIM 4G e novas animações da Play Store.

 

Bateria

Antes de abrir os números sobre a autonomia da bateria do Moto X Style, quero falar um pouco sobre o carregador que acompanha o dispositivo. Podemos dizer que este é uma versão 2.0 do Carregador Turbo que acompanha o Moto Maxx na caixa. Uma das mudanças visuais mais perceptíveis é o fato de que o cabo de energia está fixo à caixa do carregador, ou seja, não estamos falando de um carregador de viagem (cabo USB + carregador), mas de um modelo semelhante aqueles mais antigos, da época da sua tia. Contudo, de acordo com a  companhia da Lenovo, essa mudança foi necessária para que o usuário utilize o carregador e o cabo adequado com o dispositivo compatível.

O novo Carregador Turbo possui 25 watts de potência, atingindo uma velocidade de carregamento acima da média. Em meus testes consegui carregar totalmente o Moto X Style em 1 hora e 23 minutos, sendo que nos primeiros 15 minutos de carga o dispositivo já tinha atingido 16% do carregamento da bateria. Na realidade, estes primeiros 15 minutos de carga são mais rápidos, depois o aparelho diminui um pouco a velocidade, mas ainda assim fica acima da média de smartphone que não contam com tal tecnologia de carregamento rápido.

Infelizmente, o novo carregamento rápido proporcionado pelo carregador da Motorola é compatível exclusivamente com o Moto X Style. Caso você utilize o Moto X Play, o carregamento será em 15 watts de potência, e no Moto G 2015 ou versões anteriores ele funcionará como um carregador convencional.

A bateria do Moto X Style possui 3.000 mAh de capacidade. Não notei nenhum tipo de aquecimento em regiões específicas do dispositivo, mesmo quando estava rodando NFS: Most Wanted, que sempre costuma aquecer ligeiramente o Zenfone 2, por exemplo. Abaixo, apresento alguns números de autonomia obtido com o modelo do Moto X Style que testei:

  • Dois slots ocupados (3G/4G): 10 horas de uso moderado (Facebook, WhatsApp, Instagram, Gmail);
  • Um chip no slot (3G): 11 e 34 minutos de uso moderado;
  • Wi-Fi: 12 horas e 17 minutos em uso moderado;
  • Wi-Fi: 7 horas e 46 minutos em uso avançado (Jogos, Facebook, WhatsApp, Chrome, Mapas e Instagram).

Alguns detalhes devem ser mencionados com relação a esses números. Sempre utilizo o brilho da tela em aproximadamente 35% na maioria do tempo, e nunca em modo adaptável. Sempre mantenho notificações de aplicativos desabilitadas (recurso do Lollipop 5.1), como as do Asphalt 8, Subway Surfers e Facebook. O último detalhe, e não menos importante, é que o sinal da operadora, a quantidade de aplicativos instalados e os processos em segundo plano podem resultar em uma autonomia diferente para cada usuário.

Câmera

Depois de tantas decepções, o Moto Maxx foi o primeiro smartphone da Motorola que eu considerei ter uma câmera boa. O Moto X Style continua essa melhoria, ajudando a acabar com a fama ruim da Motorola nesse quesito. O sensor é o mesmo Sony IMX230 do Moto X Play, com resolução de 21 megapixels e 1/2,3 polegada, mas o processador diferente adiciona alguns extras, como o foco automático por detecção de fase (teoricamente mais rápido e preciso) e a gravação de vídeo em 4K.

O Moto X Style produz fotos com boa definição, baixo ruído e cores equilibradas, sem exagerar na saturação. Comparando com os Androids mais caros, como G4 e Galaxy S6, a qualidade das imagens é muito boa em condições favoráveis. No entanto, o foco automático nem sempre é certeiro e, por vezes, pode gerar imagens desfocadas. Esse ponto é importante num smartphone da Motorola, que possui um aplicativo simples de câmera e não permite foco manual por toque nas configurações padrão.

A Motorola ainda precisa melhorar algumas coisas. O alcance dinâmico não parece tão amplo quanto o de um Galaxy S6 Edge+, por exemplo, o que constantemente gerou regiões estouradas nas fotos mesmo em situações sem variação de contraste tão grande (um céu num fim de tarde, por exemplo). Além disso, a definição em fotos noturnas é boa, mas fica atrás dos concorrentes mais novos.

 

Na câmera frontal, que agora possui resolução de 5 megapixels, as melhorias também foram muito boas. O flash LED ajuda a clarear a cena em ambientes com iluminação prejudicada, mas a luz é mais suave e não estoura o rosto como um LED convencional faria. O pós-processamento para suavizar a pele é mais agressivo do que eu gostaria, mas o resto da cena continua com boa definição (vide as letras no monitor).

Em outras palavras, a câmera do Moto X Style é muito boa (e um avanço enorme em relação a qualquer outra da Motorola), mas não é excelente na faixa de preço em que a empresa decidiu competir ao vender o smartphone por R$ 2.499. De qualquer forma, se você estiver migrando do Moto X de 2ª geração ou algum topo de linha lançado há mais de um ano, provavelmente notará boas melhorias.

Conclusão

O Moto X Style é um verdadeiro dispositivo de gama alta e compete diretamente com os últimos lançamentos do mercado, como o recém-lançado Sony Xperia Z5. A Motorola fez um trabalho impecável no novo topo de linha, que pode ser visto desde o acabamento às especificações de hardware. O único ponto “contra” do modelo é a capacidade de bateria que poderia ser maior, visto que o Moto X Style possui uma tela de resolução 2K. O hardware está integrado ao software e trouxe boas melhorias que contribuem para a usabilidade do dispositivo, como não precisar falar sempre em voz alta com o Moto Voz.

Esse dispositivo é a verdadeira evolução da linha Moto X, fazendo com que o modelo Moto X Play fique em segundo plano. O custo/benefício do dispositivo pode não ser muito atraente para alguns usuários, principalmente quando lembramos que a primeira geração do Moto X foi lançada por R$ 1.499. Entretanto, a Motorola é uma empresa americana e está sentido os reflexos da alta do dólar diariamente. O Moto X Style é montado na fabrica nacional da empresa, mas seus componentes são importados dos Estados Unidos, o que impacta no preço final do dispositivo. Com relação a seus concorrentes, podemos dizer que o novo dispositivo da Motorola está com o valor de mercado competitivo, visto que o Sony Xperia Z3+ custa em média R$ 300 a mais e não passa de uma atualização do modelo predecessor.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 21 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac MIMO, GPS, GLONASS, Bluetooth 4.1, USB 2.0, NFC;
  • Dimensões: 153,9 x 76,2 x 11,1 mm;
  • GPU: Adreno 418;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 179 gramas;
  • Plataforma: Android 5.1.1 (Lollipop);
  • Processador: hexa-core Snapdragon 808 de 1,8 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio, temperatura, infravermelho (gestos), luz ambiente;
  • Tela: LCD de 5,7 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels e proteção Gorilla Glass 3.