Prós

  • Boa câmera
  • Excelente duração de bateria.
  • Tela de alta qualidade, com boa saturação e contraste.
Contras

  • Acabamento inferior com relação a geração anterior
  • Baixo desempenho gráfico.

O Motorola Moto X Play é um smartphone Android com características inovadoras em todos os pontos de vista que permite ser útil para qualquer forma de entretenimento, a qualquer hora e em qualquer lugar, representando um dos melhores dispositivos móveis já feitos. A tela de 5.5 polegadas é um verdadeiro record que coloca esse Motorola no topo de sua categoria. Além disso a resolução é das mais altas atualmente em circulação: 1920×1080 pixel. As funcionalidades oferecidas pelo Motorola Moto X Play são muitas e todas top de linha. Começando pelo LTE 4G que permite a transferência de dados e excelente navegação na internet, além de conectividade Wi-fi e GPS presente no aparelho. Tem também leitor multimídia, videoconferência, e bluetooth. Enfatizamos a boa memória interna de 32 GB com a possibilidade de expansão.

 A excelência deste Motorola Moto X Play é completada por uma câmera de 21 megapixels que permite tirar fotos fantásticas com uma resolução de 5291×3968 pixels e gravar vídeos em full HD a espantosa resolução de 1920×1080 pixels. A espessura de 10.9 milímetros é realmente ótima e torna o Motorola Moto X Play ainda mais espetacular.

Design e tela

Em muitos pontos, o acabamento do Moto X Play é um retrocesso em relação à geração passada do Moto X. Os materiais “de verdade” que a Motorola tinha orgulho de usar no topo de linha anterior, como as bordas de alumínio e as traseiras de madeira ou couro legítimo, ficaram restritos ao modelo mais caro, o Moto X Style, que desembarcará no Brasil em setembro.

No Moto X Play, enxergo um Moto G turbinado. O aparelho é todo feito de plástico pintado e não impressiona pela precisão no acabamento. A traseira é fabricada com plástico macio ao toque e possui uma textura interessante, mas que não parece ter colaborado com o grip; por duas ou três vezes, o aparelho quase escorregou das minhas mãos.

É a primeira vez que a Motorola coloca uma tela grande, de 5,5 polegadas, na linha Moto. A companhia fez um bom trabalho em reduzir as bordas: o Moto X Play é quase tão estreito quanto o LG G3, e a ergonomia é decente para um smartphone desse porte. Dá para se aventurar a usar o aparelho com uma mão; no entanto, devido à falta de aderência e recursos de software para facilitar o manuseio (que Samsung, LG, Apple e Asus costumam incluir nos phablets), você irá preferir usar as duas mãos.

Assim como aconteceu no Moto G de 3ª geração, é possível personalizar as cores do Moto X Play pelo Moto Maker. O apelo estético é o único motivo pelo qual a tampa traseira é removível, já que a bateria é selada e o acesso aos slots Nano-SIM e microSD é realizado por meio de uma bandeja localizada no topo do aparelho.

 

Na tela, a Motorola acertou em cheio. Embora não haja o preto real do Moto X de 2ª geração, o painel LCD de 1920×1080 pixels não decepciona em nenhum momento: brilho e contraste agradam, e a saturação está muito mais equilibrada que nos AMOLEDs que a empresa costumava usar. Nas configurações, há um Modo Cor para agradar gregos e troianos: por padrão, a tela mostra cores mais vivas (Intensidade), mas os que preferem tons mais naturais e realistas podem ativar a opção Normal.

O único ponto negativo de um painel LCD num smartphone da Motorola é que o recurso Moto Tela, que exibe o relógio e prévias de notificações com o aparelho em standby, perde um pouco o sentido. Diferente do AMOLED, no qual apenas os pixels necessários são acesos para mostrar as informações, não há economia de energia no LCD. Como o Android já exibe nativamente notificações na tela de bloqueio, essa função perdeu a razão de existir — e você pode desativá-lo nas configurações.

Software

O dispositivo roda com Android Lollipop 5.1.1 de fábrica e a interface do usuário é pouco modificada pela Motorola. A empresa retirou os ajustes de voz e gestos das configurações do sistema, e centralizou essas opções no aplicativo Moto. O sistema é enxuto e mantém seu potencial de inteligência característico da linha Moto X, ou seja, quanto mais você utiliza o software mais esperto ele ficará.

Particularmente, fico um pouco dividido com a experiência proposta pela Motorola, com o Android mais puro e funcionalidades embarcadas em forma de aplicativos. Existem bons recursos presentes na Zen UI da Asus, por exemplo, que me fazem falta no Android puro da Motorola. Mas quando penso no cronograma mais ágil para atualizações do sistema e nos recursos de voz, essas ausências acabam ficando menos importantes.

O sistema traz 31 aplicativos pré-instalados, entre eles temos um software para rádio FM. Não existem duplicidades entre os aplicativos, e alguns podem ser desinstalados pelo usuário ou desabilitados do sistema. A presença da rádio FM era uma dúvida frequente entre nossos leitores e, além de confirmarmos a presença deste recurso, podemos dizer que o software de rádio traz uma função muito interessante: você pode gravar trechos de programas ou músicas e salvá-los diretamente no cartão micro-SD.

Jogos e multimídia

Não, você não está com o melhor que a Qualcomm pode oferecer em hardware (o que é estranho para um smartphone que promete multimídia ao máximo, com o nome “play). Em games o Moto X Play acaba lidando bem com títulos pesados, mas abaixo do que seu irmão mais musculoso. A GPU é uma Adreno 405, que reproduziu sem problemas exagerados o Real Racing 3, mas engasgos foram visíveis durante cenas com muitos carros na tela ou de tomadas velozes com carros passando próximos ao seu. Testei ainda o Asphalt 8, que rodou um pouco melhor do que o Real Racing 3, sendo que ambos estavam com gráficos no máximo.

Este é um ponto muito negativo, já que a Motorola colocou um nome no aparelho que faz lembrar jogos e música. Justamente em jogos e em games nem tão recentes assim, ele não reproduziu de forma espetacular. Pode ser gargalo da GPU mais lenta do que a que está no Moto X Style, ou então a economia de 1 GB na memória RAM. Faz diferença.

Para rodar músicas, não há player da Motorola e o único disponível é do Google, com o Play Música. Nativamente você reproduz os formatos MP3, eAAC+, WAV, Flac e WMA. Para vídeos não há qualquer solução que faça o trabalho, mas a galeria de fotos do próprio Android reconhece os arquivos MP4, WMV e H.264 de alta definição e sem engasgos.

Hardware e bateria

O hardware do Moto X Play está dentro do que é oferecido pelos concorrentes atuais, como Xperia M4 Aqua e Galaxy J7. Por dentro, o smartphone tem 2 GB de RAM e processador Snapdragon 615, um chip octa-core formado por quatro núcleos Cortex-A53 de 1,7 GHz e mais quatro Cortex-A53 de 1,0 GHz, além de GPU Adreno 405. A Motorola leva uma pequena vantagem na CPU: normalmente, os núcleos de alto desempenho dos chips dos concorrentes operam a 1,5 GHz.

É um conjunto mediano, que também oferece performance mediana, suficiente para atender a maior parte dos usuários. A questão aqui é que a Motorola sofre uma concorrência pesada da Asus, que colocou um Atom Z3580 no Zenfone 2, vendido na mesma faixa de preço. O chip da Intel é significativamente superior ao Snapdragon 615, especialmente no desempenho gráfico. Enquanto a Adreno 405 é uma GPU de entrada/intermediária, a PowerVR G6430 vem do iPhone 5s e rende muito bem.

Para ilustrar melhor o que acabei de falar, vale a pena mostrar um comparativo de benchmarks sintéticos entre os chips. Embora o Atom Z3580 não seja muito superior a um Snapdragon 615 na CPU (Geekbench), a vantagem na GPU (3DMark) é considerável.

 

 

 

 

Essa deficiência nos gráficos fica perceptível ao rodar jogos mais pesados, como Dead Trigger 2. Na qualidade alta, a Adreno 405 visivelmente sofre para manter uma taxa de frames aceitável e há engasgos em algumas cenas (é necessário manter os gráficos no baixo ou médio), enquanto a PowerVR G6430 não apresenta nenhum problema. Também senti pequenas travadinhas em animações e rolagens dentro de aplicativos, como no Facebook e Twitter.

E, claro, a RAM mais limitada, de 2 GB, significa que o desempenho multitarefa é inferior e os aplicativos em plano de fundo precisam ser recarregados com mais frequência. Não chega a ser irritante como nos smartphones com 1 GB de RAM, mas eu notei facilmente a diferença em relação aos 4 GB de RAM dos taiwaneses, que foram mais ousados no hardware.

A Motorola acertou num quesito que as outras fabricantes (o que inclui a própria Asus) ainda pecam: a bateria. O Moto X Play é concebido desde o início para ser um dispositivo com longa autonomia, e a bateria com a exagerada capacidade de 3.630 mAh não deixa dúvidas.

Comigo, a bateria do Moto X Play durou um dia e meio — ou seja, continuo precisando recarregá-la todos os dias à noite, mas tenho certeza que não ficarei sem carga antes do término do dia. O fato da Motorola incluir um carregador rápido na caixa também ajuda bastante: aqui, foi possível encher totalmente a bateria avantajada em duas horas.

No dia de teste, tirei o smartphone da tomada às 14 horas. Nesse período, ouvi 3h de músicas e podcasts por streaming no 4G e naveguei na internet (entre redes sociais, emails e páginas da web) pela rede móvel por 2h30min. A tela ficou ligada por exatamente 2h44min, com brilho no automático. No final do dia seguinte, às 23 horas (ou seja, 33 horas depois), a bateria chegou a 15%.

Portanto, mesmo com uso intenso de dados, o maior vilão das baterias, o Moto X Play consegue dar conta do recado. A autonomia é menos impressionante do que nas peças de marketing da Motorola, mas, a não ser que você jogue muito no celular ou faça um uso muito específico, é pouquíssimo provável que tenha problemas com a duração da bateria.

Câmera

Durante a apresentação da nova linha de aparelhos da Motorola, a câmera foi o componente que mais teve destaque, sem dúvida. Há tempos conhecida por fazer fotos piores que os concorrentes, a empresa investiu pesado dessa vez: o sensor do Moto X Play é um Sony IMX230, com resolução de 21 megapixels e 1/2,3 polegada, o mesmo que acompanha o Moto X Style.

A evolução na qualidade das fotos é notável. O Moto X Play consegue entregar imagens com boa definição e pouco ruído. Diferente do Zenfone 2, as cores são equilibradas, sem estourar nos olhos. Além disso, o foco automático está rápido e preciso, o que é importante num aplicativo de câmera simples como o da Motorola, que nas configurações padrão nem sequer permite foco manual por toque.

Aliás, o software de câmera da Motorola também é controverso: enquanto outras fabricantes investem em modos específicos para melhorar a resolução de objetos detalhados, embelezar rostos ou deixar o usuário configurar velocidade do obturador e ISO, a norte-americana prefere seguir pelo caminho da simplicidade — o máximo que você pode fazer é ativar uma opção para controlar foco e exposição. Funciona bem, é isso que importa.

Em ambientes noturnos e internos com iluminação prejudicada, as imagens também são boas, embora inferiores ao que vemos nos topos de linha. A definição continua boa e o ruído fica sob controle. Há um modo noturno que pode ajudar nessas situações, desde que você aceite uma resolução menor (a foto fica com 2560×1440 pixels, aproximadamente 3,7 MP) e um nível de ruído mais elevado. Mas a definição melhora visivelmente, como você pode comparar abaixo. Cabe a você escolher.

Modo Noturno desativado: definição razoável, pouco ruído
Modo Noturno ativado: mais ruído, mas definição superior

A câmera do Moto X Play não é uma revolução entre os smartphones, mas é inegavelmente uma revolução dentro da linha Moto. Dentro de sua categoria, o Moto X Play entrega provavelmente a melhor câmera do mercado.

Conclusão

O Moto X Play é uma opção econômica para os usuários que pensam em adquirir um dispositivo Android com boas especificações e capacidade de armazenamento e bateria acima da média. Naturalmente, para manter o custo do dispositivo competitivo a Motorola precisou realizar a substituição e a remoção de algumas tecnologias presentes no modelo antecessor. De forma alguma essas trocas podem frustrar os usuários, visto que não existe nenhum outro dispositivo comercializado com o mesmo valor do Moto X Play que ofereça as mesma características, como tela bem definida, bateria de longa duração e sistema atualizado. Isso até a chegada do Zenfone 2.

O dispositivo não é uma troca interessante para os usuários que já possuem o modelo lançado em 2014, visto que o Moto X Style deverá atendê-los melhor. Acredito, inclusive, que a verdadeira evolução do Moto X de segunda geração esteja no modelo Style. O Moto X Play é definitivamente um modelo que irá conquistar novos usuários por diversos fatores além dos que já citamos nesse review. A Motorola manteve o foco no consumidor exigente que não deseja gastar muito em um modelo intermediário, mas não abre mão de características que estejam presentes em dispositivos tops de linha. Os únicos pontos negativos do aparelho são o alto-falante mono, que também criticamos no Moto G 2015, e a câmera traseira que ainda não atingiu um resultado excelente mesmo com o aumento na resolução do sensor.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

  • Bateria: 3.630 mAh;
  • Câmera: 21 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, GLONASS, Bluetooth 4.0, USB 2.0;
  • Dimensões: 148 x 75 x 10,9 mm;
  • GPU: Adreno 405;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 16 GB ou 32 GB;
  • Memória RAM: 2 GB;
  • Peso: 169 gramas;
  • Plataforma: Android 5.1.1 (Lollipop);
  • Processador: octa-core Snapdragon 615 de 1,7 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola;
  • Tela: LCD de 5,5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels e proteção Gorilla Glass 3.

Quer mais? Abaixo segue um vídeo comparativo entre o moto X play vs LG G4 confira!