Review do Motorola Moto G 2015: o que já era bom, ficou ainda melhor

Prós

  • Bom desempenho no modelo com 2 GB de RAM
  • Câmeras de boa qualidade
  • Design personalizável e resistente a água.
Contras

  • Design maior e mais pesado
  • Poucas novidades no hardware (em relação a geração anterior)
  • Versão com 1 GB de RAM por R$ 899

A Motorola lançou a nova versão de seu amado smartphone, tentando manter seu trono de mega reconhecido dentro de um mercado de aparelhos de médio custo. Hoje, diferente do mundo há três gerações de celulares, o mercado já está mais concorrido e recebeu o barato-e-bom-aparelho da Xiaomi, o Redmi 2. A briga ficou mais feia e é neste mundo que temos o Moto G de terceira geração. Por dentro ele mudou pouco, trocando apenas o processador para uma versão de 64 bits, adicionando 1 GB de memória RAM e TV digital de alta definição. Do lado de fora, há mudanças bem-vindas e algumas que não fazem o menor sentido, como a ausência do alto-falante estéreo que estava na geração passada, confira o nosso review do Motorola Moto G 2015, e deixe suas conclusões nos comentários.

Design e tela

O novo Moto G continua sendo um Moto G. Ele permanece com a traseira curva que melhora a ergonomia, o conector do fone de ouvido centralizado na borda superior, a reentrância com o logotipo da Motorola perto da câmera traseira e os alto-falantes duplos — ou quase isso, já que o áudio não é estéreo; apenas o speaker de baixo é usado para tocar música ou fazer chamadas em viva-voz.

A pegada é semelhante ao do Moto G de 2ª geração, mas levemente pior. Ele cresceu um pouquinho nas laterais e na espessura, além de estar poucos gramas mais pesado devido à nova bateria de 2.470 mAh. O logotipo da Motorola não serve mais como apoio do dedo indicador, porque está em uma posição mais centralizada na traseira do aparelho. É um retrocesso, mas a ergonomia continua razoável.

Uma boa novidade é a personalização pelo Moto Maker: o consumidor pode escolher as cores das partes frontal e traseira, além da pequena faixa com aspecto metálico que envolve a câmera de 13 MP, o duplo LED flash e a marca da Motorola. É um diferencial bacana num mercado saturado de preto, branco e prata. Também é possível gravar uma mensagem (inclusive na tela de boot!), mas o texto nem sempre fica bom: na minha unidade de teste, com traseira azul, é difícil enxergar o que está escrito.

Outra adição é a certificação IPX7, que garante proteção contra submersão na água durante 30 minutos a uma profundidade de 1 metro. Não é uma característica que considero essencial para escolher um smartphone, mas é bom saber que o aparelho continuará funcionando em caso de pequenos acidentes na água. O foco na resistência não é tão grande como na Sony, que já chegou a fazer propagandas com a câmera sendo usada debaixo da água — na Motorola, a ideia é apenas ter uma proteção adicional.

Removendo a tampa traseira, temos acesso aos dois slots para o chip da operadora e uma entrada para microSD de até 32 GB. Todas as versões comercializadas no varejo têm suporte a dois chips e conectividade 4G, em linha com o que estamos vendo nas outras fabricantes. Faltou a TV digital em outras variantes (como a que testei, com 2 GB de RAM) e o NFC.

A tela LCD de 5 polegadas com resolução de 1280×720 pixels praticamente não ganhou atualizações, embora esteja levemente mais brilhante que na geração anterior. O que dizer do visor? Ele continua sendo muito bom: a definição de 294 ppi é decente, a saturação das cores agrada e não há o que reclamar do ângulo de visão. A proteção Gorilla Glass 3 é bem-vinda e pode economizar alguns arranhões na tela.

A diferença em relação ao que vimos nos anos passados é que a tela do Moto G de 3ª geração é apenas “ok”, não impressiona, não tem nada demais. Ela não evoluiu significativamente ao longo desses dois anos e todas as outras fabricantes já usam visores tão bons quanto — algumas mais agressivas, como Xiaomi e Asus, oferecem telas equivalentes por preços bem menores, a partir de 499 reais.

Software

Manter um dispositivo devidamente atualizado não é um problema para a Motorola. Sendo assim, o Moto G 2015 não poderia vir com outra versão que não fosse a mais recente do Android, neste caso o Lollipop 5.1.1. A Motorola manteve  o visual pouco modificado, com experiência entre hardware e software otimizada. O Moto G 2015 conta com recursos já presentes no Moto E 2015, como chacoalhar para ativar a câmera a partir da tela bloqueada, e tela de notificações inteligentes do Moto Tela. Segundo a fabricante, o dispositivo receberá o Android M assim que possível.

Existem alguns truques no Moto G 2015 que podem ser configurados a partir do aplicativo Moto. Essa aplicação é responsável em centralizar as configurações de uso do dispositivo que envolvem gestos e recursos inteligentes, como o Moto Assist. Através da opção “Ações” é possível configurar a ativação da lanterna agitando o dispositivo duas vezes de cima para baixo.

Desempenho

O aparelho roda com tranquilidade jogos pesados e vários apps simultaneamente. Mas, apesar de conseguir executar a maior parte do aplicativos disponíveis na loja do Android, o smartphone não traz um aumento de performance significativo em relação ao antecessor.

Mesmo com o Snapdragon 410 com maior velocidade e uma variante de 2 GB de memória RAM, os consumidores não devem notar muita diferença durante o uso.

O teste de benchmark abaixo pode comprovar isso.

 

 

 

Jogos e Multimídia

A Adreno 306 é poderosa sim, garante alguma jogatina sem engasgos e isso vale até mesmo para o pesado Modern Combat 5. Neste exemplo, a Gameloft baixa um pouco dos gráficos para poder lidar bem com o desempenho do aparelho. A qualidade não fica tão feia, enquanto a taxa de quadros por segundo não caiu nem mesmo em momentos recheados de explosões. Em jogos mais leves, como Candy Crush ou Angry Birds, o desempenho foi muito bom e sem qualquer travamento. Vale lembrar que este modelo testado conta com 2 GB de memória RAM, desempenho superior ao de 1 GB de RAM – e isso faz uma diferença grande em jogos.

O player de música é o nativo do próprio Android, ou seja, o Play Música. Ele é capaz de rodar qualquer arquivo em MP3, AAC+, WAV e WMA. A capa do álbum é exibida sem problemas, junto de informações que estão no arquivo executado. Além disso, ele é capaz de conectar com o Google Play Música e acessar as músicas que estão salvas no serviço ou então as rádios online do serviço pago. Não há player de vídeo nativo, sendo a galeria o player padrão de fábrica. Com ele você consegue reproduzir arquivos MP4, H.263, H.264 eWMV em alta definição. Não há travamentos ou engasgos durante a reprodução.

Câmera

O sensor presente no Moto G é o mesmo que a Motorola colocou no Nexus 6. As imagens capturadas apresentam nitidez, um bom equilíbrio de luz e fidelidade de cores. Em números, a resolução da câmera traseira aumentou de 8 para 13 megapixels. Isso significa que o tamanho das imagens aumentou consideravelmente.

Para dar qualidade às fotos, a Motorola aposta em um flash duplo e a tecnologia CCT, que ajusta automaticamente a intensidade do flash para deixar os tons de pele mais naturais, mesmo com pouca luz. Destaque para foco manual e controles de exposição, modo HDR automático e a capacidade de criação de vídeos em slow-motion.

A câmera frontal de foco fixo também apresenta imagens maiores que o do antecessor. O aumento foi de 2 para 5 megapixels, com foco fixo e ângulo de visão de 72 graus. No geral, as câmeras do Moto G não são excepcionais, mas representam um aprimoramento considerável e qualidade condizente com a sua faixa de preço.

Bateria

A Motorola garante que a terceira geração de seu smartphone é capaz de aguentar até 24 horas. Mas em nossos testes, foi um pouco difícil chegar a essa marca. Sob uso moderado, usando a rede WiFi e fazendo ligações durante o dia, a carga do aparelho aguentou cerca de 21 horas.

Em uso intenso, com o 4G ligado e rodando alguns jogos, essa média reduziu para pouco mais de 12 horas. De acordo com o aplicativo de benchmark PCMark, o tempo sob uso intenso é de 7 horas e seis minutos. Assim, podemos dizer que o Moto G apresenta uma bateria que está dentro da média, não decepcionando ou surpreendendo os consumidores.

Conclusão

em de longe o Moto G continua sendo aquele smartphone que revolucionou toda uma categoria de aparelhos em 2013 — na época, ele era indiscutivelmente o melhor custo-benefício do Brasil. Não é por acaso que a Motorola conseguiu transformá-lo no smartphone mais vendido do país e ganhou posições entre as líderes: ultrapassou a LG, se tornou a segunda maior fabricante de smartphones do Brasil e ficou atrás apenas da Samsung.

Hoje, temos concorrentes como Xiaomi e Asus, que estão oferecendo smartphones mais atraentes do ponto de vista do custo-benefício para tentar repetir o feito da Motorola e ganhar mercado. E, custando R$ 979 no modelo que analisei, há outras opções significativamente superiores por um preço não significativamente maior, como é o caso do LG G3 e Moto X de 2ª geração.

Mas o que importa é que o Moto G de 3ª geração é um smartphone equilibrado e com boa construção, duração de bateria, desempenho e qualidade de câmera. Embora esteja mais caro que nas gerações anteriores e o custo-benefício não seja mais tão alto, ele continua sendo um bom aparelho, do tipo que dificilmente causará arrependimentos em quem comprá-lo.

Agora que o Moto G já consolidou seu nome no mercado e traz as pequenas melhorias feitas pela Motorola, é certo que ele continuará vendendo como água. Graças ao IPX7, deverá conviver bem com isso.

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.470 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0;
  • Dimensões: 142,1 x 72,4 x 11,6 mm;
  • GPU: Adreno 306;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB;
  • Memória interna: 8 GB ou 16 GB;
  • Memória RAM: 1 GB ou 2 GB;
  • Peso: 155 gramas;
  • Plataforma: Android 5.1.1 (Lollipop);
  • Processador: quad-core Snapdragon 410 de 1,4 GHz
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola;
  • Tela: LCD de 5 polegadas com resolução de 1280×720 pixels e proteção Gorilla Glass 3.