Review do Asus Zenfone 2

Prós

  • Bateria de boa duração e carregamento rápido.
  • Acabamento escovado na traseira passa boa impressão.
  • Hardware potente e memória de sobra
Contras

  • Botão Liga/Desliga no topo
  • Tela com brilho e contraste abaixo da média.
  • ZenUI cada vez mais poluída

ASUS chegou com tudo no mercado de smartphones. O lançamento do seu primeiro modelo por aqui, o Zenfone 5, aliou um produto com características de qualidade a um bom preço e o modelo acabou se tornando um dos mais cobiçados por aqueles que buscam um celular intermediário.

Com o Zenfone 2, a empresa faz uma aposta mais ousada. A ideia agora é levar aos consumidores um celular com características de top de linha, mas que ainda assim mantenha um preço competitivo. Sai de linha a briga com o Moto G e o Redmi 2 para dar lugar a uma competição direta com o Moto X Play e os principais tops de linha de outras fabricantes.

O Zenfone 2 é o primeiro celular a chegar ao mercado com 4 GB de RAM. Além disso, ele conta com processador quad-core Intel Atom Z3580 de 2,3 GHz e tela LED de 5,5 polegadas. Nas lojas, o modelo será vendido por preços a partir de R$ 1.299. Será que vale a pena investir o seu dinheiro na aposta mais ousada já lançada pela ASUS? Isso é o que nós vamos descobrir agora neste review do Asus Zenfone 2.

Design e tela

A Asus manteve a identidade visual que usou nos Zenfones anteriores. Isso é bom, porque o design da marca passa uma boa impressão: a base com linhas concêntricas reflete a luz de maneira elegante, e o aparelho não tem cara de ser “barato”. Mas isso também é ruim, porque os velhos problemas foram mantidos (e alguns novos foram adicionados).

A traseira do modelo que testei é feita de plástico na cor grafite com acabamento “escovado”, lembrando bastante o LG G3. Os pequenos relevos sentidos ao toque dão a impressão inicial de que a aderência não é boa, mas na prática o aparelho não se mostrou escorregadio. A leve curvatura também ajuda na ergonomia do aparelho, que encaixa melhor nas mãos.

Ao mesmo tempo, a Asus manteve as bordas anormalmente grandes em volta do display, fazendo um smartphone de 5,5 polegadas ficar ainda maior. Somando a largura desconfortável à espessura (10,9 mm no ponto máximo), a pegada não ficou boa. A localização do botão liga/desliga, no topo do aparelho, não faz sentido num phablet, é muito antiergonômica. A boa notícia é que você não precisará apertá-lo, já que a Asus fez boas modificações no software, que detalharei adiante.

Já a tela do Zenfone 2 agrada, embora não seja perfeita. É um painel IPS LCD decente, com ângulo de visão satisfatório e excelente resolução (1920×1080 pixels), mas que peca na falta de brilho — se você colocar o Zenfone 2 ao lado de outro aparelho equivalente mostrando uma tela branca, o aparelho da Asus quase sempre terá o display mais escuro. Você não terá problemas ao usar o Zenfone 2 em ambientes internos, mas talvez precise fazer algumas sombras com a mão em dias ensolarados.

Software

O Zenfone 2 sai de fábrica rodando com o Android Lollipop 5.0, com a promessa de atualização para o Lollipop 5.1 durante o segundo semestre deste ano pela Asus. Internacionalmente, o Lollipop 5.1 já foi liberado para alguns proprietários do dispositivo, começando pela variante ZE550ML. No Brasil, a distribuição do novo software ocorrerá de maneira mais lenta e gradual, principalmente devido à necessidade de algumas adaptações no software e burocracias estabelecidas pelas operadoras locais.

Com relação ao Android 6.0 Marshmallow, a Asus taiwanesa divulgou em seu fórum oficial, o ZenTalk, que toda a linha Zenfone 2 será levada para a versão mais recente do OS, o que inclui todas as variantes do Zenfone 2 e o Zenfone 2 Laser. Espera-se que o novo sabor do Android chegue a esses dispositivos entre abril e julho de 2016.

Recentemente, o Zenfone 2 nacional recebeu algumas atualizações importantes em seu software, embora a versão do sistema tenha se mantido a mesma. O firmware de número 2.20.40.97 trouxe um novo visual para o gerenciador de energia, aprimoramentos no consumo de bateria, novo aplicativo que realiza o gerenciamento dos aplicativos iniciados com o sistema (Gerenciador de Auto-início), além de correções pontuais de bugs e otimizações de perfomance.

No entanto, nenhuma atualização foi tão importante como a versão de firmware 2.20.40.59, que foi a responsável em tornar o dispositivo imune a falha de segurança Stagefright.

Com relação à experiência de uso com o software, conforme eu disse acima, esta é a primeira vez que tenho um Zenfone nas mãos e a minha primeira impressão com relação à UI da ASUS é a de que ela é uma colcha de retalhos. É inegável dizer que temos referências da Apple, da Sony, da LG e da Samsung aqui. Isso também pode ser uma característica da nova diretriz visual que a Google impôs com o Android Lollipop, que está cada vez mais plano e colorido.

Um dos primeiros recursos que me chama a atenção no Zenfone 2 são os dois toques sobre a tela para ativá-la ou desativá-la. Esta função é extremamente funcional em um dispositivo de 5,5 polegadas e botões na parte traseira e superior. Mas isso não é novo, a LG oferece este recurso desde o lançamento do LG G2. Contudo, ao ativar a função ZenMotion, que habilita gestos de toque e movimento, você acessa a barra de navegação a partir do centro da tela ao deslizar o dedo de cima para baixo e, quando faz o movimento contrário, acessa o menu de personalização, chamado aqui de “gerenciar início”.

Diferentes recursos de software são abordados em determinadas categorias neste review, mas ainda assim vale mencionar aqui os modos de economia de energia e gerenciamento de memória, o assistente de áudio e, claro, o modo fácil de uso do aparelho.

O fato da ASUS optar por um processador Intel Atom faz com que as opções de ROMs personalizadas para o aparelho sejam praticamente nulas. Isso quer dizer que você terá que usar todas as possibilidades de personalização para deixar o seu smartphone com uma aparência menos padrão. Talvez por isso, a fabricante taiwanesa ofereça diferentes possibilidades de customização da ZenUI. Contudo, assim como a Samsung teve que rever os temas do Galaxy S6, a ASUS precisa fazer o mesmo para deixar o Zenfone 2 um pouco mais competitivo em relação ao software.

Por último, também é preciso dizer que o software do aparelho foi otimizado para oferecer a possibilidade de expansão da memória. Assim, você poderá salvar seus dados diretamente no cartão microSD e salvar parte do armazenamento interno.

Jogos e Multimídia

Como consequência da escolha da Intel como provedora de chip para o processador, a Asus acabou levando para casa a poderosa PowerVR G6430, que é a mesma placa gráfica que equipa o iPhone 5S, por exemplo. Ela é poderosa o suficiente para fazer com que qualquer game mais pesado, como Modern Combat 5, Real Racing 3 ou Motral Kombat X, rode sem qualquer engasgo e recheado de efeitos – dá até para você abrir dois jogos ao mesmo tempo e ir intercalando qual deles joga no momento, tudo isso graças ao montante de 4 GB de memória RAM, que trabalha bem com o sistema operacional.

O player de música também é alterado pela Asus e é capaz de rodar qualquer arquivo em MP3, AAC+ e WAV. A capa do álbum é exibida sem problemas, junto de informações que estão no arquivo executado. Além disso, ele é capaz de alterar a reprodução de áudio, com base em um equalizador gráfico. Não há player de vídeo nativo, sendo a galeria o player padrão de fábrica. Com ele você consegue reproduzir arquivos MP4 e H.264 em alta definição. Não há travamentos ou engasgos durante a reprodução.

Bateria

A capacidade de bateria do ASUS Zenfone 2 está entre as maiores do mercado. Os 3.000 mAh de capacidade colocam o aparelho à frente de modelos como Apple iPhone 6 Plus, Samsung Galaxy S6 ou HTC One M9, por exemplo, e lado a lado com o LG G4. Entretanto, na prática isso não significa um desempenho acima da média.

Em nossos testes, o desempenho de bateria ficou dentro dos parâmetros esperados, mas o aparelho não pode ser considerado um destaque nesse quesito. Usando o celular de forma intensa (WiFi e 3G ativos, rodando jogos e vídeos de forma alternada continuamente) foram necessárias pouco mais de seis horas para drenar a carga por completo.

Porém, vale lembrar que ele conta com modos específicos para economia de energia. É o caso do “Modo de economia inteligente”, que permite personalizar as suas próprias configurações de economia de energia, e o “Modo ultra-econômico”, que maximiza a vida da bateria e desconecta a rede quando o dispositivo é suspenso. Em ambos os casos, pode haver ganhos significativos de durabilidade da carga, chegando a até 20% do tempo.

Para aqueles que têm pressa, o modelo é compatível ainda com a tecnologia BoostMaster, que permite a recarga rápida do aparelho. De acordo com a ASUS, com ele ativado é possível levar a carga de 0% a 60% em apenas 39 minutos. Em nossos testes, demorou um pouco mais do que isso – 44 minutos -, mas inegavelmente o índice obtido é bastante satisfatório.

Áudio

Há pontos positivos e negativos significativos que devem ser observados na qualidade de áudio do Zenfone 2. Vamos começar pelas boas notícias. A empresa decidiu incluir um aplicativo chamado “Assistente de Áudio” que, de fato, tem um bom impacto sobre a qualidade sonora final.

Ele conta com configurações prévias para estilos musicais, filmes, gravações, conversas via telefone ou jogos. Ou seja, na prática você pode adaptar o seu dispositivo à necessidade em questão, uma característica que muitas vezes é deixada de lado pelas fabricantes.

O aspecto negativo é que, embora o som dos speakers seja alto, por vezes ele soa um tanto quanto estridente e embargado. Essa característica não chega a ser um problema, mas pode incomodar aqueles que valorizam esse recurso. O microfone para gravações é apenas razoável.

Os fones de ouvido que acompanham o produto são do tipo intra-auricular e têm qualidade mediana. Eles são suficientes para você ouvir suas músicas sem se incomodar muito, mas aqueles que valorizam todos os aspectos de áudio de boa sonoridade – e essa sempre foi uma característica positiva de outros produtos da ASUS – certamente vão se decepcionar um pouco aqui.

Câmera

A câmera do Zenfone 2 entrega resultados satisfatórios dentro da faixa de preço. Não é uma câmera de topo, mas é uma câmera que entrega fotos aceitáveis, com nível de ruído controlado e cores fortes. Além disso, o aplicativo de câmera da Asus é bastante completo, com uma série de modos que ajudam em certas situações.

Vendo as fotos mais de perto, é possível notar certa falta de definição e alguns artefatos ou deformações causadas pelo algoritmo de pós-processamento. O alcance dinâmico não é muito amplo, o que frequentemente gera fotos com luzes estouradas em cenários mais iluminados. O HDR funciona bem, mas por vezes adiciona pequenos ruídos nas imagens, como você pode perceber no céu abaixo.

Com HDR
Sem HDR

Uma característica dos Zenfones da geração passada, de tratar “em excesso” as fotos, continua presente. Isso significa que a câmera do Zenfone 2 não agradará aos que preferem imagens mais naturais: em algumas fotos, achei a saturação bastante exagerada, quase gritando nos olhos. Mas o software faz um bom trabalho em criar fotos “bonitas de se ver” e provavelmente irá atender as necessidades do usuário médio.

O aplicativo de câmera, embora pareça ter opções demais numa primeira olhada, é simples de usar e traz algumas funções bem-vindas. Na hora de tirar uma selfie com temporizador, por exemplo, basta arrastar o botão de tirar foto para cima e a contagem regressiva se iniciará. Mais fácil que isso, só por telepatia.

Os modos específicos também são bacanas em certas ocasiões, como o Super Resolução — nele, há um ou dois segundos de processamento adicionais para tornar a imagem mais nítida. Pode ser uma boa ideia ativá-lo quando você quiser tirar fotos de objetos estáticos e detalhados. Se quiser ter mais controle sobre a imagem, o modo manual tem opções para ajustar balanço de branco (em Kelvin), velocidade do obturador (infelizmente, sem velocidades abaixo de 1/2 segundo), foco e ISO.

Vale a Pena?

Sim! O Zenfone 2 custa a partir de R$ 1.299 em seu modelo de 16 GB, e eu duvido que você encontre algum smartphone na mesma faixa de preço com um desempenho tão bom e com 4GB de RAM (o que faz muita a diferença na multitarefa). É um smartphone quase high-end, e que não deixa a desejar quando comparado diretamente com os bam-bam-bam do mercado. Por R$ 1.499, você não só tem um aparelho com 4GB de RAM como também ganha o dobro de armazenamento – e lembrando que o Zenfone 2 também tem entrada de cartão micro-SD.

Por mais que ele tropece em algumas coisas – excesso de bloatware e principalmente a posição terrível do botão power – é difícil não enxergar a beleza e as qualidades do Zenfone 2. Se em 2014 a Asus acertou em cheio ao trazer um smartphone de baixo custo e ótimo desempenho, agora ela repetiu o feito com um aparelho mais robusto.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

  • Bateria: 3.000 mAh;
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 5 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0;
  • Dimensões: 152,5 x 77,2 x 10,9 mm;
  • GPU: PowerVR G6430;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 64 GB;
  • Memória interna: 16 GB ou 32 GB;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Peso: 170 gramas;
  • Plataforma: Android 5.0 (Lollipop);
  • Processador: quad-core Intel Atom Z3580 de 2,33 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio, bússola;
  • Tela: IPS LCD de 5 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels e proteção Gorilla Glass 3.