Foi no longínquo 25 de março de 1646 que o Rei de Portugal, D. João IV, organizou uma cerimónia, em Vila Viçosa, de agradecimento a Nossa Senhora da Conceição pela recuperação da independência do país de Espanha. Nesse mesmo dia, ela se declarou patrona e rainha de Portugal e, desde então, nenhum outro rei português trazia na cabeça uma coroa, distinção que a partir de então é exclusiva da mãe de Jesus.

Acredita-se que a Virgem Maria, filha de um casal idoso e estéril, Santa Ana e São Joaquim, foi concebida sem pecado original para dar ao mundo o Criador, Jesus de Nazaré. Nesta data de grande significado para a Igreja Católica, 8 de dezembro, são evocadas a sua vida e virtude. Uma vida feita de desprendimento e serviço a Deus que é celebrada como festa religiosa desde 1476, instituída pelo Papa Sisto IV.

A devoção à Virgem Maria é prerrogativa da maioria dos portugueses desde tempos imemoriais. Os vários santuários marianos espalhados pelo país são uma prova inequívoca desta veneração. Não importa onde! Em lugares escondidos, em áreas selvagens montanhosas ou lugares abertos e mais acessíveis, os exemplos proliferam. O Santuário de Nossa Senhora da Abadia, em Santa Maria do Bouro, concelho de Amares, o santuário de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, o santuário de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, ou as catedrais do Porto, Lisboa, Viseu e Évora ilustram bem esta realidade.

Em outro nível está o Santuário de Fátima.

Erguida na Cova da Iria, local remoto e inóspito da freguesia de Fátima, concelho de Ourém, na sequência das aparições marianas de 1917 aos pastores Lúcia dos Santos, Jacinta Marto e Francisco Marto, tornou-se, em pouco mais de um século, um lugar de recolhimento e oração, para onde convergem pessoas de todo o mundo.

De um lugar deserto e hostil, em cerca de cem anos, tornou-se uma terra cosmopolita, agradável, pacífica e pacífica, o verdadeiro altar do mundo para onde convergem homens e mulheres de todas as raças e credos. Muito além das aparências, este é, na minha humilde opinião, outro autêntico milagre que nossos sentidos alcançam.

Portugal, ao longo da sua história, tem a Virgem Maria associada às crises mais profundas que o país viveu como manto protector e refúgio de esperança. De Aljubarrota às invasões francesas, às atrocidades e devastações da Primeira República e, mais recentemente, aos distúrbios e perigos ocorridos no período pós-25 de abril, que ficou conhecido como PREC (Processo Revolucionário em Curso), que poderia ter levou o país a uma guerra civil, a Imaculada Conceição sempre foi incentivo e apoio.

Encorajamento e apoio de um povo que em quase nove séculos de existência sempre confiou na protecção da Imaculada Conceição. Um povo que desde a sua fundação passou por crises de sobrevivência e até de identidade. Um país que, de poderoso império marítimo, foi reduzido à sua condição terrena de pequeno retângulo no extremo da Europa e aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Hoje, 8 de dezembro de 2020, no meio de uma pandemia que já dura há muito, celebrar devidamente o dia da Imaculada Conceição é dever de todo crente e até de todos os agnósticos de boa vontade.

O português é intrinsecamente, na maior parte, um indivíduo de fé. Uma criatura que, mesmo afastada da prática religiosa regular, não nega as suas raízes e que, especialmente em tempos de angústia, não se esquiva de clamar por Deus e por Nossa Senhora.

Na celebração deste dia da Imaculada Conceição, agradecemos a vossa protecção ao longo do tempo e, mais uma vez, imploramos a vossa bênção para consolar as vítimas do Covid-19, proteger os portugueses dos seus malefícios e, sobretudo, guardar eles esperam um futuro mais próspero e feliz.

By Carlos Henrique

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