Em um ano marcado pela pandemia, a ciência ganhou proporções sem precedentes na mídia e nas redes sociais. Entre desinformação e notícias falsas no que diz respeito ao coronavírus e às vacinas, as autoridades científicas têm assumido um papel essencial na comunicação de informações à população leiga. Agora, um novo relatório revelou quais foram as principais vozes da ciência no Twitter.

Desenvolvido pelo projeto Science Pulse em parceria com Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), o documento foi divulgado nesta segunda-feira (14) e analisou a rede de interações entre 1.200 perfis no Twitter para listar os mais relevantes influenciadores da área, entre cientistas, instituições, revistas e outros comunicadores científicos. No total, 11.678 interações foram mapeadas.

No topo dos perfis principais está o biólogo Átila Iamarino (@oatila), um divulgador científico com mais de um milhão de seguidores. Virologista, Átila já atuava na divulgação científica antes da pandemia, principalmente no YouTube – e se tornou uma das principais vozes comentando a Covid-19 nas redes sociais nos primeiros meses do ano. A próxima da lista é a jornalista Luiza Caires (@ luizacaires3), jornalista e editor de ciências do Jornal da USP, que também trabalha com postagens informativas sobre diversos assuntos científicos.

Otavio Ranzani (@tavio_ranzani), epidemiologista, está em terceiro lugar, seguida por Mellanie Fontes-Dutra (@mellziland), pesquisa biomédica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Por fim, o cardiologista e professor Marcio S Bittencourt (@MBittencourtMD) ocupa a quinta posição.

O relatório mostra que “as vozes mais influentes sobre a Covid-19 no Twitter são os profissionais que utilizam a rede com o objetivo claro de divulgação científica”, ou seja, com o intuito de informar o público em geral sobre assuntos científicos, em linguagem acessível. Além disso, “quase todos os principais influenciadores também usam outros espaços para compartilhar conteúdo científico (site, blog, youtube, etc.)”

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  • Os principais influenciadores foram selecionados segundo critérios de autoridade, articulação na rede e popularidade (sendo esta última decisiva no caso de empate). A métrica “autoridade” demonstra quais são os perfis centrais na divulgação das informações na rede e, portanto, os mais respeitados ou prestigiados. A “Articulação” avalia quais perfis formam pontes entre os diferentes grupos, tendo assim uma maior capacidade de difusão de mensagens. Já a “popularidade” reflete o alcance possível de um determinado perfil na rede – ou seja, diz respeito ao seu número de seguidores.

    “Quando há muita informação – e, pior, desinformação – nas redes sociais, é importante ter cientistas, especialistas e comunicadores de ciência que tenham o reconhecimento de seus pares. É isso que o estudo nos mostra ”, explica Sérgio Spagnuolo, jornalista e coordenador do Science Pulse, projeto de monitoramento de redes sociais voltado para a ciência.

    Spagnuolo explica ainda que o ranking não é definitivo e absoluto sobre a comunicação científica em redes. “Devido aos critérios metodológicos adotados, muitos cientistas, especialistas e organizações renomados não entraram no Top 5, o que não significa que nossa lista pare por aí. Cientistas gostam Natalia Pasternak e Paulo Lotufo têm muita autoridade nas redes, enquanto os professores Thomas Conti e Marcia castro eles têm uma boa articulação entre seus pares e isso só mostra como a comunidade de influenciadores da ciência se desenvolveu muito no Brasil este ano ”, afirma.

    Outros nomes de peso

    Além dos 5 maiores influenciadores nacionais, o estudo identificou nomes importantes no cenário internacional. Nesse sentido, os perfis do médico se destacam Eric Topol, (@EricTopol), da bioestatística Natalie E. Dean, PhD (@nataliexdean), o epidemiologista Michael Mina (@michaelmina_lab), o médico Carlos del Rio (@ CarlosdelRio7) e a epidemiologista da OMS Maria Van Kerkhove (@mvankerkhove) – todos operam nos Estados Unidos. Ao analisar o critério de autoridade única, o diretor da Organização Mundial da Saúde Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) lidera como a maior voz global.

    Em termos de instituições nacionais e internacionais, o destaque fica por conta do perfil da Universidade de São Paulo (@usponline) como articulador popular no Brasil, além da Ufes (@oficial), UFMG (@ufmg) e UFSC (@UFSC); Instituições externas incluem a Organização Mundial da Saúde (@QUEM), várias universidades como Stanford, Harvard, Princeton, Oxford, Cambridge está em Johns Hopkins. Este último ficou famoso por criar o rastreador de casos Covid-19 líder global mesmo no início da pandemia, amplamente utilizado em todo o mundo. Revistas científicas como The Lancet, Natureza e Ciência também se destacam.

    Você pode verificar todos os nomes mencionados e compreender os detalhes metodológicos baixando o relatório completo aqui.

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  • By Gabriel Ana

    "Passionate student. Twitter nerd. Avid bacon addict. Typical troublemaker. Thinker. Webaholic. Entrepreneur."

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