SÃO PAULO – O prefeito Bruno Covas (PSDB) vai disputar a reeleição contra Guilherme Boulos (PSOL), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 99,67% dos votos apurados, Covas alcançou 32,85% dos votos, enquanto Boulos obteve 20,24%.

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Márcio França, do PSB, ficou em terceiro lugar, com 13,65%. Em seguida, vêm Celso Russomanno (republicanos), com 10,5%, Arthur do Val (Patriota), com 9,78%, e Jilmar Tatto (PT), com 8,65%.

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Ao lado do governador João Doria na comissão de campanha do partido, Covas agradeceu os votos por volta das 23 horas:

“A esperança venceu os radicais no primeiro turno e vai vencer os radicais no segundo turno”, disse, ao lado do governador João Doria no comitê do partido nos Jardins.

O prefeito reforçou seu discurso de que manterá em seu plano de governo as propostas de redução da desigualdade social na cidade, uma das principais bandeiras de seu adversário daqui para frente. Do outro lado da cidade, nos arredores de Campo Limpo, Boulos reagiu:

– Nesse primeiro round vencemos o Bolsonaro, vencemos o projeto de ódio, demora e mentira que tentava se enraizar na cidade de São Paulo. Agora, no segundo turno, vamos vencer o João Doria, porque é ele mesmo quem manda na cidade – disse.

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O resultado da votação até então apontava uma pequena queda no Covas em relação às últimas pesquisas. Boulos, por outro lado, chegou à segunda fase com uma vantagem um pouco maior do que os institutos previam.

O resultado confirmou a queda de Russomanno na preferência paulista. Embora tenha disparado à frente nas primeiras pesquisas, ele não conseguiu acompanhar o ritmo.

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O PT teve seu pior desempenho desde a redemocratização, amargando a sexta posição, atrás do deputado Arthur do Val (Patriota), conhecido na internet pelo canal “Mamãe Falei”.

Dona da segunda campanha mais cara da cidade de São Paulo, Joice Hasselmann (PSL) não apareceu nas pesquisas, ficando entre 1% e 4% ao longo da disputa. A disputa terminou com 1,83%. Segundo seus aliados, o empreendimento funcionou como um projeto de reposicionamento do PSL no cenário político.

Eleita deputada federal como a mulher mais votada do estado, com mais de 1 milhão de votos, foi líder do governo Bolsonaro no Congresso, mas rompeu com o presidente e passou a ser atacada pela militância bolonarista nas redes sociais. Na eleição paulista, ela tentou arrancar o voto dos bolsonaristas arrependidos, principalmente partidários da Operação Lava Jato, muitos deles também decepcionados com Bolsonaro.

O deputado estadual Arthur do Val (Patriota), outro candidato que disputava o voto da direita conservadora, por sua vez, experimentou uma corrida na reta final. Assim como Joice, ele estava amargo cerca de 2% no início da campanha, mas encerrou a disputa com 9,77%, perto de Celso Russomanno e Jilmar Tatto.

Sem usar dinheiro de fundos partidários e eleitorais, Do Val fez uso de uma forte campanha digital, apoiada por doações de empresários e simpatizantes. Ele também foi impulsionado pela base de seguidores do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual é um dos líderes.

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Liderança

Covas foi às urnas ontem com uma vantagem confortável nas pesquisas. A vaga na liderança da disputa foi conquistada aos poucos, em uma campanha tranquila. O prefeito fez da candidatura mais uma prestação de contas de sua gestão do que espaço para novos projetos.

O slogan “Força, foco e fé”, cunhado após muitas pesquisas internas, deu ao tratamento do câncer um peso relevante na construção de sua imagem na eleição. Seu estado de saúde acabou no calendário eleitoral. Covas queria falar sobre a doença antes mesmo de seus adversários questionarem sua condição física de governar a cidade.

A pandemia de coronavírus foi, sem dúvida, um tema importante para Covas, mas politicamente o que chamou a atenção na campanha foi a ausência do governador João Doria, um dos recordistas de rejeição do eleitorado paulista.

A campanha da Boulos, por outro lado, começou com o impulso de sua boa penetração nas redes sociais. Desde a eleição presidencial de 2018, o líder dos sem-teto polarizou-se com o presidente Jair Bolsonaro no mundo virtual e, assim, conseguiu aumentar sua base de seguidores.

A escolha de Jilmar Tatto, nome desconhecido e com pouca experiência em eleições majoritárias como candidato do PT, ajudou Boulos a crescer na esquerda. Desde 1988, em todas as eleições, os candidatos do PT foram os primeiros ou os segundos nas eleições paulistas.

Quando saiu a primeira votação, Boulos ainda estava longe das primeiras posições que lhe permitiam brigar por uma vaga no segundo turno, mas já liderava pela esquerda e teve uma atuação bem melhor que Tatto.

As pesquisas foram animadoras, mas ao mesmo tempo trouxeram um fato preocupante: Boulos ia bem entre os eleitores mais ricos e instruídos, mas tinha pouca penetração entre os mais pobres, apesar de ter feito um discurso dirigido à periferia da cidade.

Na tentativa de reverter esta situação, a campanha estimou que a Erundina podia ajudar, uma vez que a sua gestão pelo PT produzia marcas importantes nos bairros mais remotos. Mas, aos 85 anos, a candidata ao vício está no grupo de risco para o novo coronavírus e não conseguiu se expor. Com o veículo adaptado para protegê-la, foi possível que Erundina começasse a tomar as ruas ao lado de Guilherme Boulos.

Nas pesquisas, mesmo sem grande alta, o candidato do PSOL conseguiu aproveitar o derretimento de Russomanno. Ao mesmo tempo, ativistas do PT pressionavam Tatto para declarar apoio a ele. O candidato do PT, porém, resistiu.

By Carlos Henrique

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