Brasil Proposta de Regulamentação da Internet.  Big Tech tirou as luvas

Em 28 de abril Felipe Neto, um YouTuber brasileiro com mais de 45 milhões de seguidores, ficou furioso. Ele havia acabado de receber uma mensagem do YouTube alertando sobre o PL2630, um projeto de lei do Congresso Nacional chamado “Lei das Fake News” que regulamentaria as plataformas online. Influenciadores como Neto, disse a empresa, podem ser forçados a remover o conteúdo para evitar ações judiciais, e o governo pode potencialmente controlar partes da plataforma do YouTube.

Para Neto, esse aviso em si era uma fake news. Ele sentiu a notícia e um post semelhante em blogue do YouTube, que descaracterizou a legislação proposta. “Ficou clara a tentativa de manipulação dos autores contra a lei”, diz Neto. Em resposta, ele twittou a mensagem do youtube junto com suas próprias respostas às suas declarações alertando outros produtores de conteúdo para “ler com atenção porque nunca vi uma tentativa tão vigorosa de usar criadores para defender os interesses do Google”.

Neto estava apenas respondendo a parte de um esforço multifacetado do Google e de várias outras grandes empresas de tecnologia dos EUA no Brasil para lutar contra um projeto de lei que visava impor uma nova estrutura regulatória sobre elas. Isso exigiria que plataformas e mecanismos de pesquisa encontrassem e removessem ou fossem multados por discurso de ódio, desinformação e outros conteúdos ilegais.

Nas semanas que antecederam a votação no Congresso marcada para o início deste mês, os brasileiros viram uma enxurrada de anúncios e declarações de empresas que rejeitavam a legislação proposta. Anúncios no Instagram, Facebook e jornais nacionais vinculados ao Google entrada de blog pede um debate mais longo sobre o projeto de lei. A postagem dizia que algumas partes do projeto não foram discutidas no Congresso e que o momento da votação limitou “o espaço de discussão e as oportunidades de aprimoramento do texto no Congresso”.

Na semana passada, apenas 24 horas antes do Congresso Nacional do Brasil votar a lei, os usuários do país que abriram a página inicial do Google foram recebidos com um link abaixo da caixa de pesquisa que dizia: “Lei de notícias falsas pode reduzir a confusão sobre isso”. o que é verdadeiro ou falso no Brasil.” Google REMOVIDO O link depois que o Departamento de Justiça do país disse que multaria a empresa em até US$ 200.000 por hora pelo que a agência chamou de “campanha de propaganda” que viola as leis de proteção ao consumidor.

“Você tem que deixar transparente que alguém pagou [a message]que é uma posição da empresa e por isso está aí”, diz Estela Aranha, secretária de direitos digitais do Ministério da Justiça do Brasil. Rafael Corrêa, diretor de comunicação e assuntos públicos do Google Brasil, descreve a pressão da empresa contra a lei como uma “campanha de marketing para tornar nossas preocupações mais visíveis” e a compara a campanhas anteriores sobre questões de interesse público, como promover o voto ou o Covid -19 vacinações. Ele diz que o aviso a Neto e outros foi uma tentativa de explicar os riscos “legítimos” do projeto.

A votação da lei foi interrompida na semana passada devido a um fluxo de emendas de última hora, mas a maneira como as plataformas de tecnologia dos EUA, particularmente o Google, tentaram moldar o debate público sobre a lei deixou especialistas e funcionários do governo cada vez mais preocupados no Brasil. As tentativas do setor de se defender de novas regulamentações agora podem colocá-lo sob ainda mais escrutínio.

despertador

Desde 8 de janeiro, quando milhares de pessoas invadiram o Congresso Nacional para apoiar o derrotado presidente de direita Jair Bolsonaro, a necessidade de regulamentação das mídias sociais cresceu para alguns no Brasil. Como o ataque ao Congresso dos EUA em 2021, a insurgência brasileira foi alimentada em plataformas como o Telegram, e grupos ativistas encontraram anúncios questionando a integridade das eleições repetidamente escapando dos sistemas da Meta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como “Lula”, tem falado abertamente sobre a necessidade regular Plataformas mais agressivas.

“As plataformas não estavam preparadas, mas o mais importante, não estavam dispostas a tomar medidas duras contra o discurso de ódio e a desinformação relacionada às eleições”, diz Flora Arduini, diretora de campanhas do grupo de defesa Ekō. “Para o governo Lula, o dia 8 de janeiro foi realmente o momento em que eles pensaram: ‘Precisamos levar esse debate adiante para regular efetivamente as plataformas.’”

By Carlos Jorge

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